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Segredos

Luiz Carlos Bedran

A leitura diária dos jornais, quando completa, satisfaz a curiosidade do leitor sobre o que acontece no mundo (em se tratando de notícias, embora requentadas pela web) e, ao mesmo tempo, pelas opiniões emitidas nos artigos, pode levá-lo tanto a concordar, quanto a pensar diferentemente do que pensava antes.

Num filme sobre a imprensa sensacionalista já se disse que boa notícia não é notícia. É por isso que se publicam tantas notícias más que aguçam mais ainda a curiosidade de todos, o que se deduz que o espírito do ser humano necessita conhecer tragédias para sentir-se mais leve…

A vantagem das más notícias é que elas são rapidamente esquecidas porque são vivificadas por outras ainda mais más, num perpétuo moto contínuo. Parece que não existe jornal otimista e a sua leitura habitual torna o leitor ainda mais pessimista.

A começar pelas manchetes. Como o governo a querer sepultar “ad aeternitatem” todos os chamados segredos de Estado, dando a impressão de que há muito que esconder, menos para o historiador do que para o cidadão, curioso em conhecer as conversas (gravadas) que existem nos gabinetes do governo e o registro documental dos fatos considerados importantes como “raison d’Etat”, muito embora ocorridos há mais de século. Como diziam os latinos: “cui prodest?”, a quem aproveita? Mistérios dos governos passados.

Outra manchete diz respeito à não divulgação dos valores das licitações milionárias dos estádios de futebol, que devem ser apressadas ante a Copa de futebol que vem por aí.

Independentemente disso, é preciso antes analisar sobre as vantagens de o País sediar uma Copa do Mundo. Em sã consciência, não se pode concordar com isso. Gastar tanto dinheiro com o futebol, com as reformas e construções dos estádios (pagas com o dinheiro do povo, dos impostos, através de doações legais) quando ele deveria ser melhor aplicado em outras benesses populares.

Somente os políticos, para se elegerem e se reelegerem, conluiados ou não com as grandes construtoras, é que obterão lucros estupendos, que levarão vantagem, ainda mais em se tratando de ano eleitoral. Para o cidadão, amante ou não do futebol, a alegria será breve e isso se o País for vencedor. Depois será aquela rotina, a cobrança por meio dos impostos escorchantes do qual o nosso país tem sido o campeão mundial.

Ainda esperamos que os segredos de Estado sejam divulgados e as licitações — já que é impossível voltar atrás e o País deixar de sediar a Copa do Mundo — não sejam assim tão secretas.

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