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RUMO AO SEGUNDO TURNO



  Rodrigo Augusto Prando*   No último domingo, 07/10, Jair Bolsonaro (PSL) quase, quase, garantiu sua vitória no primeiro turno. Foi, novamente, a região Nordeste, uma cidadela do PT, que garantiu os votos suficientes a Fernando Haddad (PT) para avançar na disputa. Alberto Carlos Almeida, cientista político, autor do livro “O voto do brasileiro”, fez, […]

 

Rodrigo Augusto Prando*

 

No último domingo, 07/10, Jair Bolsonaro (PSL) quase, quase, garantiu sua vitória no primeiro turno. Foi, novamente, a região Nordeste, uma cidadela do PT, que garantiu os votos suficientes a Fernando Haddad (PT) para avançar na disputa. Alberto Carlos Almeida, cientista político, autor do livro “O voto do brasileiro”, fez, com base nos dados das últimas eleições, uma previsão, probabilística, de que, novamente, teríamos a região Nordeste levando o PT ao segundo turno e o estado de São Paulo levando o PSDB, como na polarização das eleições passadas. No mesmo livro, o referido autor, contudo, já demonstrava a alternativa Bolsonaro, que acabou prevalecendo. Vejamos.

Geraldo Alckmin, do PSDB, terminou em quarto lugar, com 4,76% dos votos válidos. Aqui, pode-se, ao menos, construir algumas hipóteses para esse cenário. Parte substancial do eleitorado do PSDB, nas últimas eleições, não tinha, em seu bojo, valores e ideais socialdemocratas, mas eram, essencialmente, antipetistas. Bolsonaro foi, há muito, a encarnação mais perfeita do personagem antilula, antipetista e antiesquerda. Quando fui entrevistado e questionado se com a prisão de Lula Bolsonaro teria dificuldades de manter esse discurso “anti”, afirmei que, com Lula fora da disputa, ele, Bolsonaro, desidrataria, mas não desapareceria, pois sua pauta era, também, assentada em valores conservadores nos costumes, de um liberalismo tardio (e pouco convincente), armamentista, contra o politicamente correto e assentado no discurso da força e da hierarquia. Tirante isso, teve, ainda, a melhor compreensão do potencial das redes sociais: ideias de conteúdo e forma superficiais, linguagem de “memes” e “lacração”. Enquanto muitos apostaram na televisão, Bolsonaro reinou, olimpicamente, nas redes sociais e, especialmente, esse ano, no WhatsApp. Sua comunicação política foi simples, mas efetiva, eficiente e eficaz. Outro aspecto de Bolsonaro foi firmar um discurso antissistema e antipolítica, mesmo sendo deputado há duas décadas e de ter os seus filhos na mesma seara.

Assim, não só os antipetistas abandonaram Alckmin, mas, noutra dimensão, os liberais foram, em parte, para Amoêdo e outros, também, para Bolsonaro. Onde, dantes, no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, havia eleitorado do PSDB, Bolsonaro fez enorme onda e saiu fortalecido para o segundo turno. Além disso, a força de Bolsonaro impulsionou o seu partido, que antes era minúsculo. Terá apoio nos deputados do PSL, bem como do “Centrão”, das chamadas bancadas da bala e do boi. Com isso, terá, caso eleito, força e governabilidade. Nesse cenário político, pode, sim, ocorrer uma reviravolta e Haddad sair vitorioso, mas não creio. Haddad teria que, num esforço hercúleo, ganhar muito mais votos e Bolsonaro perder terreno e não ganhar outros eleitores. Para isso, o PT deveria fazer algo de muito forte para unir forças políticas contra Bolsonaro e este cometer um erro crasso e de enorme repercussão no eleitorado para lhe dificultar o acesso ao Planalto. Tendo tempo de TV igualmente distribuído, Bolsonaro terá que rever a estratégia de focar nas redes sociais apenas. Outro ponto: nos debates, no confronto de ideias, ele comparecerá e enfrentará Haddad? Isso pode mudar o humor do eleitor.

Essa eleição será, em tudo, paradigmática, mudando a compreensão não só do marketing político e eleitoral, mas até das formas de comunicação na televisão e nas redes sociais e na construção de alianças partidárias. Nada está decidido, mas Bolsonaro chega com muito mais vigor e com vantagens em relação a Haddad.

*Rodrigo Augusto Prando é Cientista Político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/FCLAr.

Sobre o Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

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