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POLÍCIA É PARA QUEM PRECISA DE POLÍCIA

Na última sexta-feira, dia 03/08, por volta das 09h30, sob chuva e frio, quando me
dirigia a uma reunião de trabalho na Delegacia Sindical do Sindifisco Nacional –
Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, localizada na Praça da
República, 468, 9º andar, centro de São Paulo, quase fui preso arbitrariamente.
Ao ver três viaturas e um grupo de policiais agredindo com chutes mendigos e
dependentes químicos (doentes) que dormiam protegidos por marquises dos
prédios, me senti muito mal. Educadamente, fui até eles e disse: “Senhor policial,
em nome de Jesus Cristo, não façam isso! Tenham misericórdia desses seres
humanos pobres e dependentes químicos. Tirem eles das ruas, mas, por favor,
sem violência”.
Enquanto tentava convencê-los a não ser violentos, um deles, agressivamente,
ordenou que eu perfilasse junto à parede ao lado dos mendigos e drogados e com
as mãos para trás. Em seguida, vasculhou a minha mochila, talvez por achar que
eu seria um traficante de drogas. Pediu meus documentos e eu entreguei a minha
carteira de identidade civil e ressaltei minha condição de trabalhador mostrando-
lhe minha funcional de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Ele ficou com o
RG e não se interessou pela identidade profissional. Questionei-o sobre as razões
de tamanhã violência contra um cidadão de bem e ele respondeu: “Por que você
se meteu onde não deveria”.
Como, em virtude da abordagem, me atrasei para a reunião, um colega Auditor
ligou para o meu celular questionando-me sobre o atraso. Justifiquei que estava,
de maneira desproporcional e constrangedora, sendo detido por policiais nas
proximidades do local de nossa reunião. Ele desceu e veio ao meu encontro.
Como o meu colega, além de Auditor-Fiscal aposentado, é advogado militante,
após conversar com os policiais, conseguiu a minha imediata liberação.
Não tenho dúvidas que o fato de trajar jeans e ser negro, foram os motivos
daquela abordagem exagerada em violência. No exercício de minha cidadania,
quase fui detido pelo simples fato de solicitar aos violentos policiais que não
agredissem os mendigos, os drogados, tudo em nome dos elementares princípios
de direitos humanos assegurados pelo ordenamento jurídico brasileiro. Agradeço
ao meu colega Auditor-Fiscal e Advogado Eustórgio Luiz Guimarães por ter ido ao
meu socorro munido de sua grande sabedoria.
Por ter sentido na pele o que significa uma agressiva abordagem policial, confesso
que passei a concordar que a Polícia Militar do Estado de São Paulo está
despreparada e deseducada, sob o ponto de vista social, para atender ocorrências
envolvendo os pobres e os miseráveis. Defendo, e agora mais ainda, a
desmilitarização da Polícia Militar, pois nem todos os policiais estão preparados
para usar arma letal. O Portal G1 da Globo publicou no dia 10 de maio de 2018
que “o Brasil teve 5.012 pessoas mortas por policiais no ano de 2017 – 790 a mais
que o ano anterior. Um aumento de 19%. Quando vamos acabar com isso?
Segundo Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, diretores do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública, “o número de mortos em decorrência de intervenções policiais
mostra que o Brasil está flertando com a barbárie, geralmente justificadas como
sinônimo da eficiência policial, que chega mais rápido ao local de ocorrência”. Ai
está, em minha opinião, a falência do Estado brasileiro.

Acredito que Jesus Cristo viva hoje na figura dos pobres e sofredores. Ele está
presente em cada ser humano que passa fome, entre os encarcerados, junto aos
menores abandonados que vivem pelas ruas das nossas cidades. Foi exatamente
isso que vi quando, naquela manhã, resolvi pedir aos policiais da cidade de São
Paulo para não agredirem os miseráveis moradores de ruas.
Ficaram as dúvidas. Será que aqueles policiais que me abordaram em pleno
centro de São Paulo teriam o mesmo comportamento combatendo os grandes
traficantes de drogas no Brasil? Será que fui abordado pelo fato de ser negro?
Será que entendem que aqueles seres humanos moradores de ruas são vítimas
de um Estado desgovernado, corrompido, que não proporciona emprego, moradia,
saúde e educação aos seus filhos? O que será do futuro do Brasil se os que
governam defendem a violência e a agressão policial como instrumento para
proporcionar o bem-estar social?
Entendo, portanto, que está certíssima a Banda de rock Titãs quando cantam
Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia…

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