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Pense bem eleitor

Jorge Luís Bedran A indiscutível e grave crise político-econômica, ética e social pela qual estamos passando é causada, não apenas pela corrupção ativa e passiva existente, principalmente ao longo dos últimos 13 anos, envolvendo políticos, empresários, entre tantos outros, mas, sobretudo, pela incompetência da administração federal em gerir a Nação. Não são essas pessoas apenas […]

Jorge Luís Bedran

A indiscutível e grave crise político-econômica, ética e social pela qual estamos passando é causada, não apenas pela corrupção ativa e passiva existente, principalmente ao longo dos últimos 13 anos, envolvendo políticos, empresários, entre tantos outros, mas, sobretudo, pela incompetência da administração federal em gerir a Nação.
Não são essas pessoas apenas as responsáveis diretas; também nós mesmos, os próprios eleitores, indiretamente. Por quê? Porque votamos neles, porque acreditamos neles, porque sufragamos os votos em nossos líderes que se formam e se iniciam nos bairros, nos condomínios, nas instituições filantrópicas e religiosas, nos clubes esportivos, nas periferias e no centro das cidades.
Tais líderes candidatam-se a conquistar o cargo de prefeito, os mais raros; a maioria mesmo disputa uma cadeira nas câmaras municipais. Depois de eleitos, se não quiserem alçar voos mais altos, como deputados estaduais ou federais, ou são reeleitos nas novas eleições ou então desistem definitivamente.
Ganhando ou não as eleições, muitos deles ainda continuam a ter prestígio junto ao eleitorado e aí então é que são cooptados pelos candidatos, através de seus respectivos partidos, aos cargos de presidente da República, de senador, de deputado federal ou estadual para que estes sejam apoiados por aqueles.
Pois essa é a forma de conquistar o poder num país democrático como o nosso: através do voto, numa corrente cujos elos, numa sequência, estão comprometidos. Pois é aí, no início dessa corrente, que pode permanecer durante muito tempo, é que entra a responsabilidade do eleitor.
Vota no simpático líder da comunidade do bairro que promete mundos e fundos, vota no amigo, vota no companheiro de peladas na várzea, vota com o coração, vota nos favores pessoais prestados. Pois é aí que reside o problema, porque votar somente com o coração não basta. Pode até coincidir com o voto mais racional, mais inteligente, mas mesmo assim não basta, porque o eleitor tem de pensar mais além, no futuro, em seus filhos, no progresso de seu bairro, da cidade. Sua escolha não se esgota na urna: vai repercutir, no mínimo, por quatro anos.
O mundo moderno da internet, o da facilidade das comunicações, as escolas, as universidades, praticamente erradicaram o analfabetismo em nosso país o que propiciou à classe menos favorecida e à classe média condições para o seu desenvolvimento intelectual.
Por isso elas não mais podem conceber, nem mais admitir candidatos que não possuem um mínimo de conhecimento educacional, porque, para administrar uma cidade como prefeito ou então ajudar a legislá-la, como é o caso do vereador, é preciso não apenas certa liderança, mas, sobretudo, terem conhecimento, com segurança, onde irão pisar os pés, ou sentar na cadeira.
Hoje em qualquer concurso público ou na obtenção de algum emprego mais ou menos diferenciado, exige-se, a depender do cargo, formação universitária, ou senão técnica ou colegial para conseguir uma vaga, pois a disputa pela sobrevivência do cidadão e de sua família é extremamente acirrada. O que não se exige absurdamente nas eleições para prefeito e vereadores.
Para o candidato não basta ter caráter, ter personalidade, ser honesto (uma obrigação), ser amigo, querer fazer as coisas boas para o bairro, para a cidade: é preciso, sobretudo, ter condições intelectuais para tal, porque, tanto para administrar uma pequena cidade, como uma maior, ora como prefeito ou então legislar como vereador, exige-se conhecimento dos meandros do poder, da complexa administração, de preferência possuir o candidato um curso universitário, seja ele qual for.
Não basta também alegar-se que o candidato, eleito, superará suas deficiências administrativas e legislativas contratando assessores de confiança, técnicos ou de nível universitário, porque, ao final das contas, a responsabilidade pela administração ou pelo ato de legislar recairá exclusivamente sobre ele, além do que, na verdade, o eleitor não votou nos assessores e sim no candidato.
E as consequências pela má administração e como péssimos legisladores, passada a euforia da eleição, recairão a curto ou em longo prazo nos próprios eleitores, nos moradores e em suas famílias, nos bairros e na cidade. E não adianta o arrependimento posterior, nem mesmo as críticas, pois aí então somente podem ser corrigidos os erros nas próximas eleições.
Uma câmara municipal composta por vereadores incompetentes por desconhecerem a complexidade que é a ciência ou a arte de elaborar leis, sempre de caráter geral, para o bem dos munícipes, torna-se presa fácil do prefeito. E se este também, apesar de todos os méritos que possua, for um incompetente, aí então o caos é inevitável. Pode até acontecer que eles sejam cassados, processados e as contas rejeitadas pelos órgãos competentes, uma infinidade de problemas. A cidade ficará paralisada.
O eleitor tem de pensar no futuro, tem de eleger gente competente, com bom conhecimento na elaboração de leis e em administrar o município. Caso contrário, as consequências deletérias inevitavelmente virão, a ponto de se perpetuar o erro pelo apoio que futuramente darão para a eleição dos deputados, senadores e até para a presidência da República.
Pois é isso o que ocorre atualmente em nosso país: o nosso erro, o do eleitor, repercutirá em toda a Nação. Por isso é que é importante que saibamos votar em pessoas que tenham, no mínimo, um curso universitário, muito embora, a bem da verdade, isso não significa que elas serão competentes. Mas o risco é menor.
*Advogado

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