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Os juros dos bancos

Luís Carlos Bedran

O prezado leitor e a querida leitora já devem ter reparado que o cronista raramente escreve sobre futebol ou sobre economia porque nada entende desses assuntos (aliás, nem de muitos outros…).

De futebol lembra-se de que, quando moleque, ia aos jogos da Ferroviária em Araraquara torcer para o time da terra e que, ainda hoje, quando perguntado para que time torce, responde que pela Ferroviária, porque é o time de Araraquara e também pelo Corinthians por influência paterna e que transmitiu a seus filhos essa hereditariedade. Sofredor, como sempre… Fazer o quê! Está no sangue ou mais modernamente, no DNA. Na verdade, ‘torcer’ é força de expressão. Apenas acompanha de longe esses embates futebolísticos e ouve atentamente o que os amigos comentam.

De economia, então, é um zero à esquerda — apesar de sua ascendência fenícia, grandes comerciantes que eram e ainda o são os libaneses —, porque é um tanto alérgico ao dinheiro, o ‘massari’ dos árabes, pois não consegue nem controlar suas próprias finanças. O que dizer então da macroeconomia, dos problemas do País e do mundo, tão importantes para a vida de todos?

Mas a economia é um assunto que sempre está na moda, ainda mais agora quando a nossa presidente resolveu mandar baixar os escorchantes juros cobrados pelos bancos, os mais altos do mundo. O pouco que aprendeu sobre essa complexa disciplina foi nas aulas do professor Paulo Singer, na então Faculdade de Filosofia de Araraquara, e nas da professora Marisa, quando fazia Ciências Sociais.

Embora acompanhando as notícias dos jornais a respeito desse assunto, mesmo assim não consegue entender como os bancos conseguem ter tantos lucros com o chamado spread bancário, que é diferença entre a taxa que eles cobram por seus empréstimos e financiamentos e a remuneração dos recursos que tomam de seus clientes, ou a chamada taxa de captação.

Por isso foi bastante esclarecedor o artigo que leu do professor Roberto Macedo publicado no jornal ‘O Estado de São Paulo’ em 19 de abril com o título de “O spread bancário e o papel do governo”. Anos atrás, ‘en passant’ o conheci, economista consagrado (UFMG, USP e Harvard) quando foi candidato a deputado estadual pelo PSDB.

Lembra até que, numa ocasião, mandou-lhe um e-mail a respeito, se não se engana, sobre o voto distrital e ele mui gentilmente respondeu de Nova York, onde estava e com um comentário até pitoresco: ao agradecer a mensagem, foi sucinto, pois a taxa cobrada lá era em dólar e cara.

Tal como ele, o cronista foi funcionário do Banco do Brasil e numa ocasião em que o banco começava a terceirizar seus serviços, ao mesmo tempo em que desvalorizava os serviços prestados pelos bancários concursados. Aliás, uma categoria sempre explorada, até mesmo pelo banco oficial, que, na verdade, é uma sociedade anônima, cujo acionista majoritário é a União.

Diz ele que a “taxa média de juros é altíssima em termos reais se levada em conta uma inflação perto de 6%. Internacionalmente, isso coloca o Brasil na abjeta divisão dos países que disputam o campeonato dos juros mais escorchantes”. E acrescenta: “(…) há muitas dificuldades na obtenção de informações sobre os juros menores e o acesso a eles. Em síntese, juros mais baixos deverão levar a maior seletividade de clientes, dentro da antiga prática bancária de que o acesso ao crédito é maior e mais barato para quem menos precisa dele”.

Portanto, a redução da taxa de juros é uma medida altamente positiva para o nosso país em franca ascensão econômica. A competição entre os grandes e poucos bancos privados supostamente irá reduzir os juros. As margens atuais dos lucros dos bancos são verdadeiramente ofensivas à capacidade econômica do brasileiro.

Por isso veio em boa hora a determinação da nossa presidente.

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