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O TRIUNFO DO CAPITALISMOGERENCIAL – 1913 – 1975

Nos primeiros anos do século XX, já por volta do início da Primeira Guerra Mundial, as grandes empresas começaram a surgir em diferentes formas e em grande número por todo o mundo. E seria nos Estados Unidos, como vimos, que essas instituições alcançariam a sua expressão máxima, promovendo um crescimento econômico insuperável, participando de forma dominante na vida política e atuando como agente definidor da sociedade americana.

O imperialismo corporativo dominava o mundo; uma nova cultura de gerência era implantada e transformava-se em “elemento fundamental da indústria (…), a função permanente dos negócios”. (MICKLETHWAIT e WOOLDRIDGE, 2003,p. 153).

Nos tempos de guerra, em particular durante a Segunda Guerra Mundial, os governos exigiam a colaboração de gerentes e trabalhadores para aumentar a produtividade e evitar que as greves acontecessem. Na Alemanha e no Japão, especialmente, os projetos ambiciosos para dirigir aeconomia e alcançar a grandeza nacional chegaram a um triste ápice nesse período. A política nazista, por exemplo, acabou empurrando uma quantidade considerável de pequenas empresas para um número limitado de grandes grupos industriais controlados pelo governo. No Japão, embora houvesse firmas de pequeno porte, aszaibatsucontrolavam de forma quase absoluta todo o ritmo da economia nacional.

O relacionamento iniciado no tempo da Guerra entre gerências e governos continuou no pós-Guerra, porém, com características diferentes nas diversas partes do mundo. A fé no gigantismo e no gerencialismo era compartilhada por outros países, mesmo com os movimentos de nacionalização que proliferavam.

Nos Estados Unidos, homens de negócios ocupando altos cargos nas corporações eram convidados a participar dos altos escalões do governo, casode Bob McNamara (1916-2009), da Ford, nos governos de J. F. Kennedy e L. B. Johnson. Por sua vez, inúmeras empresas dependiam do Pentágono para sua sustentação. Na Guerra Fria, por exemplo, foi criado “o complexo industrial militar” ao redor do qual muitas empresas orbitavam para conseguir seus contratos (“as Generals”, por exemplo).

Os governos europeus e asiáticos transformaram em estatais todas as companhias que ocupavam os postos mais altos da economia – grandes indústrias, empresas de comunicações e firmas de serviços de infraestrutura. Para a maioria deles, o gerencialismo e o gigantismo era um modelo a ser usado em benefício do interesse público, e não em função meramente dos lucros edividendos. A maior parte desses nacionalizadores, que dava grandes incentivos financeiros a “campeões nacionais”, todavia, continuava a se valer do modelo corporativo, usado como referência em sua administração dos negócios. Uma forte regulamentação e forte intervenção governamental passaram, então, a ser instituídas como forma legal de impedir que esse controle estatal fosse quebrado.

Marlene Theodoro é coordenadora pedagógica do NÚCLEO – ESCOLA DE INGLÊS, doutora em Cultura Visual e Mídia pela UNICAMP, professora da ECA-USP e no INSTITUTO REINANDO POLITO.

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