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O preço do progresso

O preço do progresso

Todo mundo sabe o que significa progresso: é ir para frente, numa determinada direção, transformando as coisas para melhor. Assim também pensavam alguns dos antigos sábios da Grécia: progresso é o caminho da sabedoria.

No entanto, esse é o conceito moderno que somente veio a tomar força no século 19. Nos séculos anteriores entendiam os estudiosos que, no princípio dos tempos, havia a perfeição e, depois dessa idade do ouro, veio a decadência.

O sentido atual, portanto, é o do desenvolvimento racional, o da ordem das coisas. É o lema da nossa bandeira “Ordem e Progresso”, inspirada no positivismo de Comte. Darwin achava também que a natureza desenvolvia-se progressivamente, para melhor; Hegel, que o progresso era infinito. A História, portanto, tende para o progresso.

Pascal, no entanto, entendia que o progresso vai e vem como o fluxo das ondas do mar. Como é um conceito relativo, tudo dependerá então dos valores da opinião de cada indivíduo. Apesar disso, o sentido de progresso modificou-se radicalmente a partir da experiência, no mínimo, das tragédias das duas Guerras Mundiais, onde aquela antiga tendência, a de considerar o mundo perfeito e em constante evolução, se transformou.

Depois disso tudo o preço pago com a morte de milhões de pessoas foi tão alto que o ser humano hoje considera a ideia de progresso apenas e simplesmente como a de esperança para a humanidade, a de um futuro melhor para todos nós. Assim sendo, é necessário repensar o preço que estamos pagando pelo desenvolvimento tecnológico- científico, que, tal como Pascal pensava, dá um passo à frente e dois atrás.

E o alto preço é o da destruição da natureza, como se pode observar com os cataclismos que têm surgido em todo o planeta, como no caso recente do vazamento do átomo na usina nuclear de Fukushima no Japão, o do chamado aquecimento da Terra com o derretimento das geleiras, entre outros fatos. É preciso, pois, criarmos um novo conceito de progresso que não significa necessariamente alcançá-lo a todo custo.

É preciso compatibilizar o desenvolvimento tecnológico, nem sempre nocivo, com um desenvolvimento saudável, mas respeitando e preservando natureza, que, em apenas 100 anos, conseguiu atingir o seu nível mais baixo, como, por exemplo, o aumento da camada de ozônio e o da destruição das florestas nativas.

É o que propõe um filósofo francês, Michel Maffesoli — que esteve recentemente em nosso país — com a criação de uma nova disciplina acadêmica, a Ecosofia, abrangendo as ciências humanas, naturais e econômicas para estudar as relações do homem com a natureza, tentando adequar o desenvolvimento da ciência com a vida saudável que todos almejamos ter.

Pois ele diz que o mito do progresso, a todo custo, acabou. Mas isso não significa também que a natureza, como querem alguns ecologistas, deva manter-se intocada. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra; nem a obsessão pelo progressismo, nem a pelo antiprogressismo.

Ele propõe então uma progressividade racional, compatibilizando ambas as tendências. Se não pensarmos assim como ele, o futuro da humanidade será triste e serão apenadas as futuras gerações, pois a natureza não é mais como entendiam os antigos, infinita.

Ao contrário, ela não somente é finita, como não pode ser mais manipulada como está sendo, em função daquela antiga noção de que o progresso é a dominação da natureza, sob qualquer preço, a todo custo.

Somente assim então ainda poderemos entender o conceito de progresso como sendo o da esperança da humanidade.

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