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O povo judeu

O primeiro contato que tive com um judeu foi em São Paulo quando comecei a cursar o 1º ano de Ciências Sociais na USP. Nem lembro mais seu nome. Mas recordo-me que o colega sorriu quando lhe disse que sempre havia pensado que todo judeu fosse rico. E ele me afirmara que isso ele absolutamente não era. Quanto muito, da classe média.  

É que era essa a noção que tinha sobre essa etnia; nem sei de onde tirei essa errônea impressão. Talvez por saber que, como reação à perseguição sofrida durante séculos, no mundo inteiro, esse povo, para se proteger, dedicava-se tradicionalmente ao comércio e às finanças. E muitas famílias espalhadas pelo mundo inteiro se enriqueceram, como as antigas e famosas dos Rothchilds, Rockefellers e Vanderbilts.  

Depois conheci alguns outros e se tornaram meus amigos. Mas o que mais admiro neles, de tanto ler escritores dessa origem — o que não quer dizer que professavam a religião judaica —, é que eles não somente valorizam muito a família, como principalmente se dedicam aos estudos, ao conhecimento, à cultura.

Uma brilhante forma de se protegerem contra o preconceito que sempre sofreram e que, até hoje, absurdamente, em pleno século 21, ainda são vítimas. Nem é preciso citar os horrores por que passaram quando milhões foram dizimados pelos nazistas de Hitler, o Holocausto de triste memória.

Proporcionalmente é a etnia que mais produziu conhecimento científico, artístico, cultural e em todas as áreas. Nem seria preciso citá-los, pois a civilização os conhece, aqueles mais famosos que revolucionaram a humanidade: Karl Marx, Freud, Einstein, Spinoza, muitos ganhadores do Prêmio Nobel, além de tantos escritores que li e ainda continuo a lê-los. E não apenas os antigos, como Erich Maria Remarque, mas os mais modernos, como Amós Oz, Philip Roth, Elias Canetti, Alberto Moravia, Primo Levi, uma infinidade.

O povo judaico depois de massacrado na Segunda Grande Guerra, conseguiu um lugar para ficar, Israel. É verdade que lá também era e continua a ser a terra dos palestinos, que não se conformam com isso. Mas ainda há lugar para todos viverem pacificamente, muito embora não se desconheça os estranhos meandros da política, os inúmeros interesses que sempre estiveram em jogo no Oriente Médio.

Porém fiquei muito feliz com a ida do nosso presidente a Israel, independentemente do que prometeu ao governo de lá, de uma eventual mudança de nossa embaixada para Jerusalém e também independentemente da eventual realização de negócios.

Na verdade, sua viagem àquele país foi menos política do que religiosa, o que em hipótese alguma desmereceria seu governo e o Brasil. Ao contrário. Cumpriu uma promessa feita aos evangélicos que o elegeram. O que eles queriam, pois, segundo se sabe, muitos creem que um dia um segundo Cristo voltará à Terra Santa, quando então se estabelecerá o reino de Deus na Terra.

E toda religião há de ser respeitada. Como a judaica, indissoluvelmente ligada à sua etnia. A viagem à Jerusalém não somente valorizou o povo judeu, como serviu de exemplo ao povo brasileiro — e até mesmo para a humanidade —, de que devemos evitar e coibir os preconceitos, sobretudo os religiosos.

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