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O peso da culpa



Não há maior condenação para uma pessoa do que não conseguir conviver com a própria culpa. Com enorme peso no universo judaico-cristão, essa palavra se aplica perfeitamente ao filme ‘1945’, de Ferenc Török. Tudo começa quando, no contexto do final da Segunda Guerra, dois judeus húngaros retornam a um vilarejo com duas enormes caixas. A […]

Não há maior condenação para uma pessoa do que não conseguir conviver com a própria culpa. Com enorme peso no universo judaico-cristão, essa palavra se aplica perfeitamente ao filme ‘1945’, de Ferenc Török. Tudo começa quando, no contexto do final da Segunda Guerra, dois judeus húngaros retornam a um vilarejo com duas enormes caixas.

A intenção deles, um senhor idoso e um jovem, e o que está dentro delas desperta as mais variadas reações. A maioria é motivada pelo senso de culpa e pela forma como os judeus foram denunciados por moradores daquela cidade aos nazistas. A palavra “vingança” é utilizada por muitos como motivo daquela presença inesperada.

Em meio a isso tudo, o todo-poderoso do vilarejo está prestes a casar o seu filho com uma moça que gosta de outro homem. As infelicidades se mesclam e ampliam com as mágoas de uma esposa não desejada sexualmente pelo marido e de um homem mortificado por ter levado os judeus a perderem objetos, casas e as próprias vidas.

As cenas da carroça levando as caixas em meio a imensos espaços vazios, dos judeus caminhando sem falar com ninguém e das consequências dessa chegada na comunidade constituem um painel de silêncios, medos, receios e interrogações em que as pessoas perdem a si mesmas pelos seus pecados, passos em falso cometidos pelos mais variados motivos, geralmente pouco ou nada justificáveis.

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, é Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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