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O inverno de nossa desesperança

Para Natália, mulher do futuro

 

Os romancistas costumam ser escritores diferentes daqueles outros que não lidam com a imaginação. Inventam tantas histórias, que superam a própria realidade e fazem com que o leitor desfrute horas agradáveis; tornam-se cúmplices deles, mesmo escrevendo livros que não terminam em “happy end”.

O título acima éextraído de um livro de John Steinbeck e que sempre me intrigou pelo seu sentido, quando, “en passant”, percorria os títulos da biblioteca. E agora fiquei sabendo que ele, por sua vez, extraiu essa frase da peça teatral de Shakespeare, “Ricardo III”, que diz: “O inverno de nossa desesperança / já se transformou em um glorioso estio pelo sol de York, / e todas as nuvens que pesavam sobre nossa casa / jazem sepultadas nas profundas entranhas do oceano”.

Uma frase apropriada para este fim de ano e para o próximo que se inicia, porque sempre vivemos de esperanças para uma vida melhor, para um mundo melhor, pois o passado, apesar das agruras vividas por muita gente, que apenas sirva de lição para poder ser logo esquecido.

Resta então o otimismo. Depois do inverno vem a primavera, a estação da vida, a da renovação das forças para enfrentá-la. E o fim da desesperança é a esperança. Então, o que se espera do futuro? O que desejamos de melhor para todos nós, para o mundo todo?

Que haja paz e não guerra; que os países antidemocráticos, se tornem democráticos, mas sem violência, sem mortes, com eleições pacíficas; que os já são democráticos, que assim continuem; que a fome possa diminuir radicalmente; que os cientistas descubram remédios contra aquelas doenças hoje consideradas incuráveis; que a natureza do planeta Terra seja cada vez mais preservada; que a ganância exacerbada das multinacionais pelo lucro, a todo custo, em detrimento das pessoas, seja controlada; que o capitalismo selvagem transforme-se num socialismo, não utópico, mas real e que a Europa, os EUA e todos os outros resolvam seus problemas econômicos, mas não em detrimento dos menos favorecidos.

Que o Brasil continue com sua economia pujante, como um exemplo aos outros países; que a corrupção — se não completamente eliminada, um tanto impossível —, seja, pelo menos, reprimida exemplarmente; que os nossos políticos sejam menos profissionais do que idealistas; que a nossa presidente continue a fazer um bom governo, assim como o governador de nosso Estado; que os preconceitos sejam eliminados; que as nossas leis sejam cumpridas com rigor e a Justiça mais célere; que haja uma política humana contra os drogados, hoje um flagelo nacional e, ao mesmo tempo, uma incondicional repressão ao tráfico; que tanto a educação quanto a saúde nunca deixem de ser consideradas políticas prioritárias.

Que o Executivo e o Legislativo de nossa cidade cumpram seus deveres e a oposição seu papel, mas com elegância e respeito; que os motoristas e motociclistas tenham civilidade e educação no trânsito; que a família permaneça unida e que a comunicação para o bem, entre as pessoas, seja menos virtual que real.

E que o inverno de nossa desesperança termine o quanto antes.

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