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Mauro Imbiani e outros lances da história

Mauro Imbiani e outros lances da história

O tempo passa, vêm as naturais transfomações impostas pelo processo de modernização. E a cidade, acompanhando a linha do tempo, vai adquirindo uma nova feição, uma nova estrutura e uma nova paisagem. É a marcha incontrolável do tempo com suas inevitáveis consequências.

O passado não desaparece, ficando retido na nossa memória, constituindo-se num rico e inestimável arquivo. Passado é história, fonte inesgotável de informações, registrando fatos memráveis da história da cidade. O passado tem influência no presente, projetando-se no futuro. O passado será, pois, parte importante de todos os tempos.

Lembro-me, de forma especial, nesta crônica, dos engraxates, que ajudaram a assinalar um importante período da história de Araraquara, assim como dos jornaleiros Dirceu, meu irmão, conhecido pelo apelido de “Chicletes”, Renato, Bilé, Lito, Jõao Chorão, Bodô e tantos outros. Eles fazem parte da história da “Morada do Sol”.

Salão Municipal, A Favorita, Cine Paratodos eram pontos nos quais os engraxates exerciam a sua atividade. Não me esqueço dos engraxates que trabalhavam no Largo de Santa Cruz. Existiam, também, os ambulantes, jovens, que, com as caixinhas nas costas, ofereciam os seus preciosos serviços. Homens que, com competência e dedicação, cuidavam de nossos sapatos.

Era 1952. No Ginásio São Bento, inserido no casarão da Rua Padre Duarte, eu fazia o curso de admissão, sendo aluno das professoras Esterina Micelli e Helena Goulart de Faria.

Meu pai, Sebastião Rufino, aposentava-se após trinta e cinco anos de serviços prestados à Estrada de Ferro Araraquara, EFA. A minha família vivia uma grata expectativa, aguardaando o dia 8 de julho daquele ano, quando seria oferecida uma recepção, “chopada,” aos seus colegas ferroviários. Ele foi contemplado com um sofisticado conjunto para dar um trato na barba. Foi um dia marcante, feliz. E, dentre os presentes, estavam os jornalistas Paulo de Arruda Corrêa da Silva e Jõao Evangelista Ferraz, bem como o engenheiro Hermínio de Amorim Júnior, diretor da EFA, o Dr. Alfredo Bernardo Figuereido, delegado de polícia, em companhia de sua esposa, Dona Léa, e dos filhos Adoniram e Valter. José Alfredo Amaral Gurgel, então vereador, pronunciou emocionante discurso, finalizando com a frase “O Brasil precisa de homens como você, Sebastião Rufino”.

Na Praça “Antônio Prado”, Largo da Estação ferroviária, havia um engraxate, que marcou época e fez história na cidade. Lembro-me bem dele, que ostentava um vasto e vistoso bigode. Certa vez, em razão de façanha notável protagonizada por ele, Araraquara projetou-se em todo o território nacional, através do Repórter Esso, apresentado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na voz possante, marcante e inconfundível de Heron Domingues. Mas qual foi à façanha de Mauro Imbriani?

Mauro Imbriani, pilotando uma bicicleta, vencendo mais de duzentos e setenta quilômetros, chegou a São Paulo em 1952. O fato poderia ter sido encarado com naturalidade se Mauro não fosse dotado somente de uma perna. Ele se locomovia com o auxilílio de muletas. Foi ou não foi uma notável façanha, divulgada pelo maior veículo de comunicação do rádio brasileiro?

O Repórter Esso falou de Araraquara, graças à viagem, de bicicleta, empreedida rumo à capital paulista pelo engraxate Mauro Imbriani. E o fato, como não poderia deixar de ser, ficou na história da “Morada do Sol”.

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