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Março

Por Luís Carlos Bedran

Março vem de Marte, o deus da guerra dos antigos romanos e o primeiro mês do daquele calendário. E é no dia 20 que começa a primavera no hemisfério norte, para eles favorável à preparação das guerras.  Mas aqui para nós, abaixo do equador, aquele dia é o início do outono com paz e sem as tragédias do início do ano. Espera-se.

Fim de verão, mas que em nossos “tristes trópicos” ainda continua, com calor, chuva e praia. Para os supersticiosos e astrólogos, o signo de Peixes e para os astrônomos, a constelação de Aquarius. Águas de março: “fechando o verão / é a promessa de vida no teu coração”…

Um mês especial e pessoal para o cronista, por três motivos: dois aniversários e, principalmente, o fim da proibição da pesca. Mas como ele escreve esta ainda em fevereiro, espera que, até lá, o presidente da República já estará em plena forma, saudável e com boa disposição para nos governar; que seus ministros se entendam melhor, o que não está fácil; que as reformas fundamentais já estejam bem encaminhadas, a depender dos congressistas bem-intencionados e sem tantas barganhas tradicionais do “toma lá, dá cá”. Porque já passou da hora de o País tentar se recuperar da estagnação crítica por que passou nos últimos anos dos governos que se diziam que era dos e para os trabalhadores.

Se estivéssemos num regime parlamentarista, onde o Parlamento poderia dissolver o personalista Poder Executivo quando necessário, talvez não teríamos tantas crises como as que tivemos. Talvez, porque o Congresso ainda demorará muitos e muitos anos para se conscientizar de sua responsabilidade em ajudar a bem governar o nosso imenso País. Mas o nível está a melhorar.

No transcorrer do mês há vários dias em que comemoram muitas datas importantes. Sem querer desmerecer algumas, talvez a maior delas é o carnaval, logo no início do mês, neste 2019, os dias de alegria.

Interessante é que a alegria, pelo menos no ponto de vista do escritor judeu Amós Oz, recentemente falecido, prêmio Nobel de Literatura em 2002, não pode ser confundida com felicidade. É o que diz em seu livro “A caixa-preta”, pois os judeus pensam de modo diverso dos cristãos sobre o que entendem por felicidade. Para os cristãos “a infelicidade é uma espécie de benção”, ao citar George Bernanos (escritor francês católico que morou no Brasil e autor de um famoso livro, “Diário de um Pároco de Aldeia”). E que a “felicidade é basicamente uma invenção católica. É “kitsch”. Não há nada em comum entre ela e a “eudaimonia” dos gregos”. No “judaísmo não existe nenhum conceito de felicidade; reconhece apenas a alegria”.

 

Depois do carnaval há também os dias em que se homenageiam algumas profissões, como a do optometrista, aquele que faz a gente enxergar; a do DJ, que transmite sons vibrantes e alegres; a do bibliotecário, que ordena habilmente os livros que lemos; a do vendedor de livros, uma espécie em extinção; a antiga do ouvidor, também “ombudsman”, que fiscaliza os outros; as do carpinteiro e do marceneiro, nobres artífices; a do diagramador e do revisor (forte abraço, mestres, caprichem nesta!). E a do homem da lei, o oficial de justiça, o que auxilia a dar a cada um o que é seu. Profissões essas bem representadas por ambos os sexos.  

Têm o seu dia os heroicos fuzileiros navais; o contador de histórias para as crianças sonharem; o da oração, que todos precisamos; o da proteção civil, na prevenção das tragédias que talvez poderiam ter sido evitadas; o do turismo para bem conhecermos a Pátria, que ela merece; o da Escola, para o País sair da estagnação; o do filatelista, muito antiga; o do conservacionismo, na proteção da natureza; o dos animais, hoje tratados melhores que gente; o do consumidor, para não sermos explorados; o da conscientização sobre as mudanças climáticas, coisa estranha; o Nacional da Imigração Judaica, um povo sofrido milenarmente; o do DeMolay, jovens da Maçonaria e o do orgulho gay, o pessoal que não deve ser discriminado.

Muitos comemorados internacionalmente, como o dia contra a discriminação racial, o das vítimas do terrorismo, o da Síndrome de Down, o da meteorologia; o da solidariedade à pessoa detenta ou desaparecida e o da Juventude. E os nacionais: do Cacau, do Circo, da Integração Nacional e o da Saúde e Nutrição. Até sogro e telefone têm seu dia!

Por fim, os básicos e fundamentais: o da Mulher, da Água e o da Poesia. Sem os quais não podemos viver. E “last, but not least” e especial, aquele abraço para você que sabe quem é…

*Sociólogo

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