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Lições de 1932

Lições de 1932

Luís Carlos Bedran
Há tempos tenho escrito nos jornais, em todo mês de julho, sempre algum artigo para que recordemos a Revolução Constitucionalista de 1932, um marco na História pátria e especialmente na História paulista, motivado por antigas razões familiares, pois meu pai, Jorge, em Santa Adélia, nunca se conformara em não ter podido participar da Revolução, impedido que fora por seu pai, meu avô Ibrahim, pois nem havia completado 18 anos.
E, se tivesse ido, talvez teria sido morto, como ocorreu com seu tio, Elias Bedran, jornalista e comerciante de Bragança Paulista, do qual era muito ligado intelectualmente, um dos primeiros voluntários a tombar na renhida batalha no Túnel da Mantiqueira. Consta que ele, com apenas 32 anos de idade, e que seria o único libanês morto na Revolução, teria levado um tiro na testa, onde agonizou por três dias numa trincheira. Foi sepultado em Bragança Paulista e a cidade prestou-lhe comovida homenagem ao designar uma rua com o nome dele, Voluntário Elias Bedran.
O sentimento de pesar sofrido pela família foi profundo e isso não somente foi transmitido a todos, mas também as convicções políticas em prol da democracia da qual, principalmente o Estado de São Paulo, foi punido pelas forças governamentais de Getúlio Vargas o qual, depois, foi obrigado a convocar as eleições para uma Assembleia Constituinte, origem da Constituição de 1934.
São Paulo foi derrotado, mas, ao fim e ao cabo, foi vitorioso aquele movimento que mobilizou ricos e pobres, negros e brancos, imigrantes, operários e industriais, homens e mulheres e que, como disse Antonio Penteado de Mendonça, presidente da Academia Paulista de Letras em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo (9/7/15) sob o título “1932 – A vitória da derrota”, “(…) E a consequência direta foi a vitória dos sonhos, das aspirações, do modo de vida e da visão do mundo paulista, não no campo de batalha, mas no campo socioeconômico”.
E termina dizendo que, “Se a Revolução de 1932 foi um desastre político e militar, suas consequências foram altamente positivas para São Paulo e, no longo prazo, para o Brasil. Graças à reação dos paulistas ao fracasso no campo de batalha, o Brasil, em 50 anos, deixou de ser dependente do café e da cana de açúcar, para se transformar numa das maiores economias do mundo”.
E agora, em pleno século 21, 83 anos depois da derrota, mas, na verdade, a da vitória da democracia, constatamos em nosso país um verdadeiro caos político-institucional a exigir uma tomada de posição do povo brasileiro, evidentemente não revolucionária, tal como no passado, mas, sobretudo, a de indignação contra o estelionato eleitoral que levou a presidente da República a ser reeleita, a ponto de hoje não ter nem 10% de aprovação popular.
É preciso que sempre recordemos os ideais, as lições de 1932. Principalmente, no mínimo, o da mobilização popular em prol da estabilidade político-econômica do País.

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