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Líbano e Brasil

Líbano e Brasil

Luís Carlos Bedran *
Meu avô libanês Ibrahim Khalil chegou ao Brasil em fins do século 19, vindo de uma pequena aldeia situada nas proximidades de Beirute e radicou-se em Bragança Paulista onde já o esperava seu irmão Mansur que tinha lá um estabelecimento comercial.
Ele viera do Líbano, então pertencente ao Império Otomano, fugindo de uma grave uma crise econômica, entre outras e no Brasil “fez a América”, em lombo de burro, mascateando nas serras daquela região. Como seu descendente, como cidadão brasileiro e como uma pessoa que se interessa sobre o que se passa no mundo, e principalmente em nosso país, não poderia deixar de fazer um paralelo sobre o que está acontecendo no Líbano e no Brasil, guardadas as devidas proporções.
Vejo na TV as manifestações dos libaneses nas ruas de Beirute em protesto contra o não recolhimento do lixo, reprimidos pela polícia com balas de borracha e cassetetes e que se estenderam contra o governo.
Aqui as passeatas são pacíficas, com algumas exceções, vistas em 2013 e duas neste ano. A primeira sobre o aumento de centavos das tarifas dos ônibus e as outras duas contra tudo, contra o partido do governo, contra a presidente e até contra o ex.
Lá as autoridades políticas não se entendem, tal como aqui, mas muito pior porque se confunde o poder político com o religioso. Desde quando o Líbano se tornou independente, em 1943, os políticos fizeram um pacto, baseado na Constituição.
Assim, o presidente tem de ser um cristão; aos muçulmanos sunitas cabe o Conselho e aos xiitas a presidência da Assembleia. A influência da Síria é grande, assim como a dos xiitas do Hesbollah: o governo atualmente não consegue quorum para a eleição presidencial do novo presidente, o que não quer dizer com isso que não há governo.
Aqui em nosso país presidencialista, a presidente reeleita, em quase nove meses, parece que ainda está em campanha, pois mais se defende do que atua; colocou seu vice, aliás, descendente de libaneses, para tentar administrar, mas ele já está caindo fora; o presidente da Câmara claramente é contra a presidente e o presidente do Senado é a favor.
E o povo a suportar uma inflação descontrolada e a perda de emprego. A nossa vantagem é que somos um país excepcional, temos muitas riquezas e certamente conseguiremos, mais uma vez, superar a crise, econômica, política, administrativa, social e ética, mesmo porque já passamos por crises políticas piores, muito embora alguns entendam que a atual supera as anteriores.
A do Líbano continuará por muitos e muitos anos, pois a história se repete, para pior, mesmo porque no confuso Oriente Médio seus habitantes não se entendem, devido às homéricas disputas político-religiosas e principalmente as econômicas que não têm fim.
Mas o interessante é que tanto lá como cá, com governo ou sem governo, o povo vai vivendo sua vida, aos trancos e barrancos, o que se pode chegar à conclusão que os políticos se distanciaram de seus governados, não sabem mais o que querem e, com raras exceções, não estão conseguindo mais nos representar corretamente como deveriam.
* Sociólogo

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