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História da Filosofia

Husserl

Edmund Husserl nasceu em 1859, em Prossnitz, Alemanha. De ascendência judaica, em 1933, com a ascensão de Hitler, recusa-se a partir para os EUA; proibido de sair do país, faleceu em Freiburg-im-Breisgau em 1938. Pediu para que seu corpo fosse cremado para que seu túmulo não fosse profanado pelos nazistas.

Estudou e foi professor nas universidades de Leipzig, Berlim e Viena e também nas de Halle, Göttingen e Freiburg. Entre outras obras, escreveu “Filosofia da Aritmética”, “Investigações Lógicas”, “Ideias Diretrizes para uma Fenomenologia” e “Meditações Cartesianas”. Seus pensamentos também foram taquigrafados em mais de 40.000 páginas de inéditos, formando o Arquivo Husserl e que foram depositados na Universidade de Louvain, Bélgica.

Insurgiu-se contra o psicologismo da época (1900), ou seja, a redução da filosofia à psicologia e criou a chamada fenomenologia, uma ciência de objetos ideais, “a priori” e universal, a “ciência da essência das vivências” (qualquer ato psíquico). Assim, não se pode confundir o físico e o psíquico, pois este é fenômeno e não coisa.

O fenômeno é a consciência, que não pode ser reduzida à ciência empírica da psicologia. A descrição do fenômeno apreende-se no nível empírico e constitui-se no nível transcendental. A fenomenologia, portanto, é uma filosofia transcendental, uma ciência rigorosa, que lida com os objetos ideais, intemporais, espécies (“o que se vê”, em latim), ou seja, as essências.

Os objetos ideais são eternos, são significações. O entender é uma significação de pensamento simbólico ou intenção de significação”. (Julían Marías). A representação intuitiva das significações, o pensamento intuitivo ou preenchimento de significação. A fenomenologia descreve essências, nunca objetos.

A apreensão da essência se enche de conteúdo na intuição (não sensível). “Estuda o todo e as partes, que podem ser independentes (pedaços, seções) e não independentes (momentos)”. (id.). Distingue também como Kant, os juízos analíticos (cujo predicado está implicado no sujeito), dos sintéticos (que não está implicado, mas é acrescentado a ele).

Para ele o sentido da consciência é a vivência intencional (que é um ato psíquico que não se esgota em seu ser ato e aponta para um objeto). Mas para o significado da redução fenomenológica, deve-se colocar a vivência “entre parênteses” ou “desconectá- la” para, finalmente, se elevar às essências.

A fenomenologia, portanto, é a ciência “a priori” e universal porque só descreve essências, ou seja, objetos ideais e não empíricos. É o método da filosofia atual.

A filosofia de Edmund Husserl é um dos três ou quatro grandes fatos intelectuais de nosso tempo”. (ib.).

Bibliografia: “História das Grandes Ideias do Mundo Ocidental”, da Coleção “Os Pensadores”, “Husserl”, de Marilena de Souza Chauí; Marías, Julían – “História da Filosofia”; Blackburn, Simon – “Dicionário Oxford de Filosofia” e Huisman, Denis – “Dicionário dos Filósofos”, “Husserl”, de Jacques English.

História da filosofia

Dewey

John Dewey nasceu em Burlington, Vermont, EUA, em 1859. Ingressou na Universidade John Hopkins, onde doutorou-se. Trabalhou nas universidades de Michigan e Chicago, e nesta criou uma Escola-Laboratório, “a primeira escola experimental da história da educação”. (Ginestier).

O contato que teve nesta cidade proporcionou-lhe profundo conhecimento dos problemas sociais dos operários, sindicatos e imigrantes. Lecionou também na Universidade de Colúmbia e proferiu inúmeras conferências em quase todo mundo. Defendeu Trotsky das acusações contra ele e Bertrand Russel quando este foi impedido de fazer conferências nos Estados Unidos.

Morreu aos 97 anos de idade e até o fim de sua vida agiu em prol das causas progressistas. Escreveu “Experiência e Natureza”, “Psicologia”, “Como Pensamos” e “Democracia e Educação”, entre outras obras.

A base de sua doutrina é o instrumentalismo para se diferenciar do pragmatismo. Entendia que o conhecimento e a conduta são instrumentos de adaptação à experiência e à transformação desta.

O pensamento objetiva a adaptação do indivíduo à sociedade e as ideias são guias para a ação. Tenta unir a filosofia às outras ciências e considera a verdade como utilidade, prática e eficaz. O intelectualismo, que no passado era tão louvado, não passa de um equívoco.

Para tanto escreveu obras de psicologia que influenciaram o ensino norte- americano, entendendo a escola mais como “um meio de derrubar barreiras entre as classes” (id.) do que ser um mero estabelecimento de ensino. Foi o fundador das Ciências Sociais.

No plano moral distinguia o “fim” e o “fim-em-vista”. Aquele é “o resultado real de uma série de ações”, este, no futuro, é a visão desse fim. Moral e educação, portanto, estão intimamente ligadas.

Entende a felicidade como “ampliação de significados; ampliação que é, por sua vez, uma expansão das relações percebidas entre a atividade pessoal e as consequências dessa atividade”. (Dewey, ib.). A sociedade deveria possibilitar o desenvolvimento de cada um de seus membros, sob todos os aspectos: físicos, morais e intelectuais.

Disse que somente “uma inteligência liberada é necessária para dirigir e justificar a liberdade de ação”. (id). Deve-se ter, portanto, uma visão ampla da ciência, que não pode ser compartimentada, nem ater-se somente às especializações. O impulso, que não é adquirido, deve predominar sobre o hábito e depende da interação com os meios sociais. “O desenvolvimento de impulsos inatos deve ser descrito em termos de hábitos adquiridos, em vez de descrever-se o crescimento de um número de costumes em termos de instinto”. (ib.).

Bibliografia: “História das Grandes Ideias do Mundo Ocidental”, da Coleção “Os Pensadores” – “Dewey”, de Pablo Ruben Mariconda e “Dicionário dos Filósofos” – Huisman, Denis – “Dewey”, de Paul Ginestier.

História da Filosofia

Bergson

Henri-Louis Bergson nasceu em Paris em 1859 e lecionou filosofia nos liceus de Angers, Clermont-Ferrant, Henri IV, na Escola Normal Superior e já consagrado, no Colégio de França. Escreveu várias obras e, entre elas, “O Riso, Ensaio sobre a Significação do Cômico”, “A Evolução Criadora”, “A Energia Espiritual”, “As Duas Fontes da Moral e da Religião” e “O Pensamento e o Movente”.

Proferiu vários cursos nos EUA, fez parte de missões diplomáticas por ocasião da Primeira Guerra Mundial e colaborou com a criação da Sociedade das Nações. Ingressou na Academia Francesa e recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1928. Faleceu em 1921.

Sua contribuição à filosofia refere-se à “importância e a peculiaridade do pensamento filosófico, inova a metafísica, amplia o domínio da investigação psicológica e é defensor e reformulador do livre arbítrio e à chamada evolução criadora”. (cf. José Américo Motta Pessanha).

Insurgiu-se contra o materialismo e o determinismo da época para voltar à vida interior, espiritual. A inteligência, que elabora conceitos, fixa a realidade e está em constante mudança. “A atividade do intelecto gerador de conceitos é de índole pragmática, fazendo com que o homem seja o ‘homo faber’ que domina a natureza e a põe a seu serviço”. (ib.)

A metafísica, portanto, vai além das abstrações para cair na realidade concreta, através da intuição, ou seja, a relação entre sujeito e objeto à qual se coloca no próprio objeto. A intuição, então, sem objetivos utilitários, permitiria “a apreensão do que é vida, dinamismo, mudança qualitativa, duração, criação”. (ib.).

A intuição seria o método da metafísica. Mas para chegar a isso ela “deve se libertar dos conceitos, criando-se assim a linguagem da metafísica”. (ib.). E é através da memória que o “eu superficial flui para o eu profundo”, onde o passado se prolonga no presente.

No entanto, ele chama de “memória-hábito” as experiências passadas e de “memória-recordação”, a reprodução do passado, “enquanto passado, revivendo-o”. Por isso mais importante é a memória-recordação, pois ela “recupera o passado sem intenção utilitária e abstraindo-se da ação presente”.

É quando ele diz que “é preciso atribuir valor ao inútil, é preciso querer sonhar”, pois o cérebro, ao mesmo tempo em que é o órgão da vida, também o é o do esquecimento, tal como “quando a atenção à vida se afrouxa, como no sono, é que o inconsciente pode aflorar, gerando então os sonhos”. (ib.)

E o livre arbítrio e a liberdade, encontram-se no eu profundo, dinâmico, na personalidade do indivíduo. Mas que a maioria dos homens não os experimenta, sendo ele privilégio dos “reformadores, dos santos e dos místicos”. (ib.).

Charles Péguy disse que ele foi “o homem que reintroduziu a vida espiritual no mundo”. Diferenciou o conhecimento limitado do relativo. Aquele “deixa-o intacto, contentando-se em apreender apenas uma parte dele” e este “altera a natureza de seu objeto”. (Devaux).

Reconciliou a filosofia com a vida: a percepção das coisas deve prevalecer sobre sua conceitualização. O ato livre é raríssimo: “muitos vivem e morrem sem conhecer a verdadeira liberdade”. “Para um ser consciente, existir consiste em mudar, mudar amadurecendo, amadurecer criando-se infinitamente”. (id.).

Escreveu também “Duas Fontes” onde preconiza numa sociedade futura “o retorno à vida simples, cujo artífice poderia ser a mulher”, “a renovação da vida política no sentido da verdadeira democracia, na qual as duas irmãs inimigas, liberdade e igualdade, finalmente se reconciliariam, pois ‘acima de tudo seria colocada a fraternidade’”. (ib.)

Bibliografia: História das Grandes Ideias do Mundo Ocidental, da Coleção Os Pensadores. Bergson, de José Américo Motta Pessanha e Huisman, Denis – Dicionário dos Filósofos. Bergson, de Devaux, André-A.

História da filosofia

William James

William James nasceu em 1842, em Nova York, de família rica e afeita às atividades intelectuais. Seu pai, Henry James (sênior), fazia parte de um grupo de filósofos trancendentalistas, de poetas e místicos que entendiam que a verdade poderia ser alcançada através da intuição.

Os mais conhecidos dentre eles eram Ralph Waldo Emerson e Henry Davi Thoreau. Este então, autor da “Desobediência Civil”, entendia que, mais importante do que as convenções sociais e políticas da sociedade, era a liberdade pessoal da consciência. Defendiam os direitos naturais, a igualdade social, a abolição da escravatura e acreditavam na bondade natural do homem “de alcançar o conhecimento de Deus e de praticar as virtudes morais, independentemente da graça divina”. (Hist.).

Seu irmão, Henry James (júnior) foi um grande romancista. William James estudou na Europa, ingressou em Harvard, onde estudou medicina, além de química, anatomia e fisiologia. Fez parte da famosa expedição de Agassiz, que percorreu a Amazônia.

Como professor de anatomia e fisiologia em Harvard, contribuiu para a criação da psicologia científica e da experimental. Entendia a consciência como um fluxo permanente e que as emoções eram fruto das modificações psicológicas.

Ao participar da “Sociedade Metafísica”, de Cambridge, em contato com intelectuais, como Peirce (o verdadeiro criador do pragmatismo), estabeleceu uma nova teoria da verdade. Esta seria originária da experiência, da conduta e que a filosofia deveria aplicar o método empírico.

As hipóteses filosóficas deveriam “funcionar” e não por serem verdadeiras. A verdade, então, deixaria de ser “concebida como adequação entre o pensamento e o pensado, a mente e a realidade exterior” (ib.) para tornar-se funcional e estaria sempre em expansão. Ela orientaria o homem para a realidade e vai de uma experiência até outra.

Teria duas condições: proposições que exigem comprovações e um valor para a vida concreta. A concepção da verdade abrangeria a ciência, a moral e até mesmo a religião. “Sua teoria afirma que uma crença deve ser considerada verdadeira, desde que possa satisfazer o desejo de compreensão global das coisas e constituir um bem vital para determinado indivíduo. A crença, porém, deve ser viva, indispensável e inevitável”. (ib.).

O pragmatismo, pois, “baseia-se em dois princípios ativos: 1) o valor prático é o critério da verdade de uma ideia e 2) um objeto, um fenômeno não é mais que a soma das ideias que podemos ter a respeito das consequências práticas das ações desse objeto, das aparências desse fenômeno”. (Ginestier, Paul).

Diz ele que “o acaso determina filosoficamente o pluralismo, que por sua vez leva à fraternidade e à tolerância”. “A presença do acaso é o ar vital que permite que o mundo viva, é o sal que o conserva tão doce”. (W.James). (ib.)

Entre outras obras, escreveu “Princípios de Psicologia”, “Pragmatismo, Um Nome Novo para Alguns Velhos Modos de Pensar”, “O Significado da Verdade: Uma Continuação do Pragmatismo” e “Ensaios sobre o Empirismo Radical”. Com John Dewey, foi um dos maiores representantes da filosofia norte-americana. Faleceu em 1910, em New Hampshire, EUA.

Bibliografia: “História das Grandes Ideias do Mundo Ocidental”, da Coleção “Os Pensadores”. “W. James”, de Pablo Ruben Mariconda e Huisman, Denis – “Dicionário dos Filósofos”. “William James”, de Paul Ginestier.

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