Select Page

Heidegger



(História da Filosofia)

Martin Heidegger nasceu Messkirch (Baden), Alemanha, em 1889 e faleceu em 1976. Estudou e lecionou em Freiburg, onde foi reitor, com a ascensão do partido nazista, ao qual se filiou. Casou-se com Elfriede, teve dois filhos e manteve relações “íntimas” com sua aluna, Hannah Arendt, judia.

Autor de várias obras, no início foi influenciado pelo método fenomenológico de Husserl, que depois o repudiou por ser judeu. Seu pensamento mesmo iniciou-se com a obra “Ser e Tempo”, onde aborda o conceito do ser. Então ele parte da existência do ser para o seu desvendamento, o “último objetivo de toda reflexão filosófica”. (Chauí).

Segundo Chauí, entendia que a vida cotidiana do homem é inautêntica, pela facticidade (o homem jogado ao mundo sem sua participação de vontade), pela existencialidade ou transcendência (são os atos de apropriação das coisas do mundo por parte de cada indivíduo) e a ruína, ou seja, o desvio de cada indivíduo em favor de suas preocupações cotidianas.

O homem, portanto, seria um ser preocupado com seus problemas cotidianos e acabaria por vegetar na banalidade e no anonimato. Por isso é preciso conhecer sua autêntica existência, mas, para tanto, somente pela angústia é que ele poderia elevar-se de sua mesquinharia.

Mas esse sentimento de angústia o deixa completamente perdido, apontando-o para o nada. “O homem sente-se, assim, como um ser-para-a-morte”. (id.). Então, ou ele retorna à sua mediocridade ou supera a própria angústia. Entretanto, para isto acontecer, ele deveria atribuir um sentido ao ser, e que não estaria sozinho nessa empreitada, que se manifestaria no trabalho, “mas ainda mais profundamente na solicitude por outrem, fato que conduz ao amor e à comunicação direta”. (ib.).

A inquietação estrutura o ser do homem dentro da temporalidade, prendendo- o ao passado, mas, ao mesmo tempo, lançando-o para o futuro”. (ib.). Aí então ele afirmaria sua presença no mundo, “ultrapassa o estágio da angústia e toma o destino nas próprias mãos”. (ib.).

Para tanto ele deveria conhecer o ser, o seu sentido e a sua verdade. E conclui que somente através da linguagem é que ele poderia ser conhecido, mas não da linguagem metafísica ou científica, mas da poética e criadora.

Mas o ser se identifica com o nada, ele é um mistério, estaria oculto atrás dos entes. O pensar essencial seria o pensar que “joga com o ser e se reflete nele, fazendo-o, ao mesmo tempo, surgir”. (ib.).

Liberdade, existência no mundo, inautenticidade, angústia, culpa e destino, tornam-se, portanto, os temas principais” de Heidegger (Blackburn), mas as forças do ser pertenceriam ao partido nazista, com a pretensão da Alemanha, de um novo Reich.

Era elitista e conservador e criticava a modernidade e a democracia, “que ele associa a uma falta de respeito pela natureza, considerada independentemente dos usos que a humanidade lhe dá”. (id.).

É considerado o mais importante dos filósofos alemães da atualidade. Seu pensamento é de grande profundidade, mas também de grandes dificuldades, pois “criou uma terminologia filosófica que suscita graves problemas de compreensão, mais ainda de tradução”. (Marías).

Bibliografia: Huisman, Denis – “Dicionário dos Filósofos” – “Heidegger”, de Jean-Pierre Cotten; Marías, Julián – “História da Filosofia”; Reale, Giovanni e Antiseri, Dario – “História da Filosofia”; Blackburn, Simon – “Dicionário Oxford de Filosofia” e “História das Grandes Ideias do Mundo Ocidental”, da Coleção “Os Pensadores”, “Heidegger”, de Marilena Chauí.

Últimos Vídeos

Loading...

Charge do Dia

Publicidade

Arquivos