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Exemplo vem de fora

Exemplo vem de fora

Genê Catanozi

Um grupo de bilionários norte-americanos coletou até o final do ano passado cerca de R$ 1 bilhão apenas para ser aplicado na melhoria das escolas públicas da cidade de Nova York, cujo orçamento anual só para a educação nesta cidade é de R$ 35 bilhões. Isso é mais do que o dobro de todo o orçamento da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Essa comparação mostra a fragilidade do Brasil como nação.
Com este fundo, pretende-se estimular, por exemplo, a criação de pequenas escolas (muitos acreditam que unidades escolares menores ajudam mais os alunos de famílias carentes).
Aos justificarem por que estão ajudando as escolas públicas, os bilionários explicam, entre outras razões, que se preocupam com o futuro da cidade em que vivem, da qual depende a qualidade de seus trabalhadores para se manter competitiva. Vale lembrar que, todos os alunos da rede pública estudam em período integral (o custo mensal por aluno é de R$ 1.200,00), e muitos deles recebem algum tipo de apoio além do período regular escolar. Isso sem contar as infindáveis alternativas educacionais em museus, teatros, centros esportivo, centros de saúde.
O dinheiro alavancado dos bilionários americanos reflete uma visão sobre a importância do capital humano na geração de riquezas e o engajamento das verdadeiras elites em sua própria comunidade. Isso se reflete no campo político também, no caso, o prefeito de Nova York, também faz parte desse grupo de bilionários-voluntários, que fez da educação a prioridade das prioridades na sua gestão frente à prefeitura. Ele disse o seguinte: “Quero ser julgado pelo desempenho escolar dos alunos”.
Nada de mais contemporâneo do que este tipo de atitude, por assumir publicamente e na prática a percepção de como se forma a riqueza na “Era do conhecimento” e como transformá-la em política pública.
A partir de dessa prioridade, foram criados ou intensificados os mais diferentes programas, como aumentar o número de aulas de arte nas escolas, treinar mais os professores, desenvolver um centro apenas para educar e treinar diretores de escolas. Lançaram-se medidas para aprimorar a transparência gerencial das escolas, o que acabou por atrair os doadores privados interessados em saber como seu dinheiro está sendo usado.
O resultado está sendo o seguinte: O prefeito se reelegeu (sua aprovação junto a população nova-iorquina está acima de 70%), e já ensaia um movimento, ainda que pequeno, para lhe dar um terceiro mandato, o que exigiria mudar a legislação eleitoral. Isso vem mostrar que, ao contrário do que imaginam os nossos políticos tupiniquins, a educação dá votos, e como dá.
Se quisermos entender tudo isso, nem é necessário ir para Nova York, apontado como o bairro mais violento do mundo pelas manchetes sensacionalistas, o Jardim Ângela, em São Paulo, derrubou o nível de homicídios integrando políticas públicas com a comunidade, num grande exemplo de engenharia social urbana e gestão da qualidade humanista.
Segundo Gilberto Dimenstein articulista da “Folha de São Paulo”, no bairro Jardim Ângela da cidade de São Paulo, a escola está sendo encarada como um centro de convivência, e ela exerce um papel fundamental contra a selvageria da cidade grande.
Dimenstein afirma: “Claro que, para isso foi necessário alguém possuir outro olhar para as verdadeiras necessidades da população, e claro o bem comum em primeiro lugar”.

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