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Eu sei quem matou

Eu sei quem matou

Anderson Piva
O caráter da grande imprensa brasileira ficou estampado ontem na Folha de São Paulo, numa de suas chamadas de capa: “Exame não vê pólvora em mão de promotor que acusou Cristina”.
A notícia em negrito tem a clara intenção de levar o leitor a concluir que Alberto Nisman não se matou. Foi morto. Mas logo abaixo, em letras menores e no final do texto, somos informados de que a promotora do
caso diz que a autópsia confirma que Nisman fez o disparo.
Quem tiver a paciência de ler a matéria toda fica sabendo ainda o porquê de não haver pólvora nas mãos de Nisman: as armas modernas não usam mais pólvora para disparar seus projéteis, mas outros elementos que dificilmente deixam vestígios nas mãos de quem as utiliza.
Ou seja, quem lê apenas a chamada conclui pelo assassinato; quem lê a matéria toda sabe que não há nada conclusivo.
Hoje a Folha volta à carga com sua chamada de capa: “Novos indícios fragilizam a tese de suicídio de argentino”.
Quais indícios? Ficamos sabendo que: 1 – A porta de serviço do apartamento estava “aberta”; 2 – Foram encontradas marcas digitais e uma pegada recente numa passagem fora do apartamento.
O leitor pode estranhar ainda que tenha sido chamado um chaveiro para abrir uma porta aberta; e mais, que este chaveiro tenha demorado “dois minutos” para abrir essa mesma porta aberta. Mas o leitor paciente
logo descobre que a tal “porta aberta” trava por fora. Ou seja, não se pode abri-la de fora do apartamento.
Há ainda vários pontos mal explicados. Como é que um suposto assassino pode entrar num apartamento de um prédio com forte esquema de segurança? Ainda mais quando esse esquema é reforçado pela segurança pessoal do próprio promotor morto?
Nessa história toda só há uma vítima: a verdade. Os grupos de mídia argentinos – e seus sócios brasileiros – fazem de tudo para jogar o cadáver de Nisman nas costas de Cristina. Para eles, não importa quem efetuou o disparo, importa recolher os dividendos políticos do caso, manipulando informações.
A priori, as duas teses são verossímeis. Assassinato ou suicídio? Se tivesse que apostar, diria que os mesmos interesses que assassinam a verdade diariamente na imprensa levaram ao suicídio do Alberto Nisman.
Nem todo mundo consegue viver feliz afundado no lodo.

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