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Eu queria ser acariciado. Fui.

Eu queria ser acariciado. Fui.

Por Ignácio de Loyola Brandão

Que me perdoem os eebanos aos quais não dei – ou pareceu que não dei – atenção suficiente na tarde de sábado, dia 6 de julho, aqui em Araraquara.

Era coisa demais. Coisa boa. Adrenalina disparada, vertigem, medo de não corresponder aos risos, abraços, beijos, apertos de mão. Alguns traziam lágrimas de contentamento. Merecia eu tudo isso? Será que tudo que fiz, não fiz para viver este momento? Estava vivendo.

Ver um mundo de amigos. Estar sendo homenageado no salão que traz o nome de Ulisses Ribeiro,o professor que na hora H, novembro de 1956, me deu 10, quando eu merecia zero, e me colocou no mundo da imaginação e da ficção, no qual flutuo até agora. Estar acompanhado do meu irmão João Bosco, me abrindo caminho, atento a tudo. Ele é o último, uma vez que Luiz Gonzaga, o mais velho morreu há pouco.

Estar ao lado dos filhos do professor Ulisses que homenageio cada vez que termino meu show Solidão No Fundo da Agulha.Ouvir as falas de Sandra Salum Marra e da Marisa Gianechini, que veio de Ribeirão Preto especialmente para o encontro. Receber os abraços de Cecilia, viúva de Paulo Silva, o homem que me levou para O Imparcial, onde desfrutei de uma bela biblioteca, na qual tinha William Faulkner, Graciliano Ramos, Charles Morgan, Carlos Drummond de Andrade e outros e aprendi a fazer jornal.

E o abraço do Zé que continua a levar o jornal a ferro e fogo em tais tempos. Também não esqueço o patriarca Antonio Silva que me dizia:“Menino não use palavras átoa, espaço de jornal custa dinheiro, no lugar de uma matéria longa e semi-vazia, cabem duas ou três informações para o leitor.” O conselho valeu para a literatura.

Não calculam os eebanos que vieram depois de mim e se lembraram do escritor que saiu daquelas salas o que é emoção ao ser reconhecido. Confesso que estava meio atordoado, puxado daqui para lá pelos abraços, pelos selfies, por aquele senhor que queria me mostrar um livro dele, e pelas interpelações, lembra-se de mim? Foram dezenas, uns eu sabia na hora quem era. Outros demorei a reconhecer, precisei de dois minutos. Muitos daqueles estiveram em cada lançamento meu em Araraquara ao longos dos anos, como asBotta, Suely e Vera e Roberto Ramalho. E a Lena Fortes, como eu chamo a filha de Hugo, meu melhor amigo no IEBA. E o Franciso Segnini, irmão de Ruth professora que ainda me resta, ligação com meu inicio devida, imaginem ela me ensinou a ler e escrever ao lado de Lourdes Prado. No tempo em que fui colunista, tinha uma caderneta e anotava nomes. Ali, estava sem anotarafobado, confuso, feliz, desgovernado.

A festa começou no EEBA, continuação do meu IEBA,teve bela placa descerrada dei com minha carona olhando, ali serei olhado pelos alunos de hoje e amanhã, e espero incentivar alguém a ousar na vida em busca dos sonhos. Passamos para o almoço, pedidos de autógrafos em livros, abraços, e de repente soube que um dos proprietários do Tchê é sobrinho da Terezinha Pirolla, cujos bolos há décadas vim buscar ou comer em Araraquara. Memórias, instantes. Passei por Marisa Pereira Lima. Será que ela ainda se lembra da bronca que me deu quando não votei no grupo das fantasias das mulheres dos médico, no carnaval de 1986?. Vi que não, o tempo apaga essas bobagens, ela me abraçou.

Então chegaram Coca Ferraz, Aparecida Aguiar, Darcy Dantas, os que criaram a Academia. Naquele carnaval conheci Marcia Gullo Araraquarense de Letras, da qual sou patrono, e espero que aqueles que escrevem na cidade ajudem-na a crescer e organizem maneiras de incentivar leitura e aprendizado da escrita.

Foram momentos. Ganhei placas, ganhei festa, aplausos, beijos. Agora no EEBA, ali junto a diretoria está uma placa. As placas modernas não são mais em bronze e sim em acrílico e com foto. Afinal estamos na época das imagens.

O escritor que saiu deste colégio poderá estimular outros? Tomara, apesar de minha cara brava, fechada. Mas foi com ela que nasci e tenho convivido. E a alegria por ver o Rodrigo, filho de Maria Isabel, prima irmã, como mestre de cerimônia, ele jornalista e publicitário, que vi nascer, que me acompanhou. E todos outros primos, familiares Zezé, Marilda, Marco, Valéria. Vejo Ana Maria, prima irmã, professora de matemática de primeira, a que recuperou a consideração da família, uma vez que em matemática fui o campeão dos zeros redondos. Tudo misturado.

Na mesa de almoço, domingo,no bufê da Beth Karan, fiquei feliz, ela é amiga de décadas e ao lado de Aroldo, acompanhou boa parte de minha trajetória. Sentei-me com a professora Maria Helena de Moura Neves, um bom nome para a ABL no futuro. E eu reconhecia aquela mulher do outro lado, e quando ouvi seu nome, Zulmira, liguei. Zulmira Merussi e me veio a sua imagem no pátio do IEBA, morena, magra, saltitante. Não foiela que se casou com o Ennio Caraça, o barítono dos locutores esportivos?

Agradeço a cada um a adrenalina que me agitou por dias e dias. O 6 de julho jamais será esquecido. Obrigado a todos,e especialmente ao Ayrton Filardi e a todos que organizaram esta festa, eu que pensava estar esquecido. Mentira, puro charme. Queria que me acariciassem e passassem a mão em minha cabeça.Fizeram mais do que isso, acariciaram meu coração e me animaram a ir mais longe.

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