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E HAVIA UMA PAINEIRA

“…Havia neste local uma Paineira, símbolo da Vila Xavier; não resistiu ao tempo: Nós a regeneramos!

Quando o meu estimado amigo Chico Santoro elaborou o relatório técnico sobre o tombamento da Igreja de Santo Antonio pelo “amordaçado” COMPPHARA, demonstrou como eram importantes os chamados “Pontos de referência”. São locais adotados pela população com a finalidade de facilitar um destino.

A sua escolha se dá por uma ordem natural, constituindo-se numa das mais lídimas manifestações da vontade popular livre de qualquer influência, pois brota do íntimo.

Lá na esquina da Rua Princesa Isabel com a Av. Carlos Baptista de Magalhães, na gloriosa Vila Xavier, existia uma Paineira Rosa, árvore linda e frondosa que os botânicos registraram com o nome de “Chorisia Speciosa”.

Foi plantada por Manoel da Silva Junior, um funcionário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Ele aposentou-se em 1.929 e resolveu abrir um pequeno negócio de secos e molhados. Numa de suas inspirações, plantou uma árvore: uma Paineira Rosa. Anos mais tarde, já em 1.949, seu filho Silvio Silva, após casar-se com a Sra. Norma Ozório Silva, foi estabelecer-se no mesmo local com o mesmo ramo. O casal teve dois filhos: Silvio Silva Filho e Eduardo.

A Paineira tornou-se um marco, um verdadeiro ponto de referência. Na Vila Xavier se falava no Santo Antonio, no São Benedito, mais acima, e … na Paineira, bem mais ao lado, entre os dois; à esquerda de quem sobe. Ficou plantada no canto de uma praça que tinha um grupo escolar, onde, diga-se de passagem, meu saudoso pai implantou o primeiro consultório dentário escolar de Araraquara; onde também minhas tias Alzira, Zulmira e Elza, tiveram a incontável alegria e satisfação de tirar muitas pessoas da escuridão ensinando-as a ler, escrever e contar.

Tais lembranças, aliás, só interessam a nós, seus familiares e a alguns amigos queridos. A cidade? …

Havia também um posto de Puericultura que levava o nome de “Pedro Morganti”, também de muita importância para a vida da cidade. Mas quando alguém queria dizer que morava naquelas bandas ou ia para lá, sempre se referia: “-Moro lá na paineira”, “Vou lá perto da Paineira”.

Andrelino era um jovem cheio de vida. Obcecado pelo trabalho. Desde a mais tenra idade ajudava seus pais, Andrelino, o “seu Nenê” e a Dona Cristina, também num negócio de secos e molhados. Dona Cristina era maravilhosa!!! De suas mãos, com a ajuda da irmã Lizeta, eram produzidas as deliciosas goiabadas “cascão”, tradição que a família cultiva, todos os anos, até hoje, supervisionadas, é claro, pela D. Cristina no “andar de cima”.

Andrelino casou-se com a Sra. Joana Carmem Biffi e, com um empréstimo obtido junto ao pai, montou um negócio próprio, um armazém; primeiramente nesta esquina e, depois, na esquina de baixo. Aliás, o Super Mercado Popular foi um dos primeiros auto-serviços da cidade.

O tempo, inexorável, tanto fez que acabou derrubando a velha Paineira. Na Vila mesmo sem a sua presença física a referência continuava. “-Eu moro lá na Paineira”; “-Eu vou lá pelos lados das Paineira”.

Andrelino ficava com isto entalado na garganta. Lembrou-se que era imbatível; que nunca deixaria se abater. Ora, ainda mais com as suas grandes amizades, as suas tradições, a sua vontade, resolveu ir à luta. Convocou à todos.

É, o tempo derrubou a antiga Paineira, apodreceu o seu tronco, quase extirpou a sua lembrança. Só que o tempo, apesar de todo poderoso e tão temível, não contou que iria topar pela frente com Andrelino Alves Pinto Filho, cujo exercito de trabalhadores já era muito maior.

E bastou ele voltar a morar nestes lados para enfrentar o tempo e regenerar a Paineira, que lá está novamente; no mesmo lugar, imponente! Protegida por todos os moradores da Vila Xavier, muitas delas, famílias também regeneradas.

O marco voltou; o ponto de referência novamente ocupa o seu lugar físico. E assim, Andrelino e todos os seus vizinhos, quando perguntados, respondem orgulhosamente:

“- Eu moro lá na Paineira!”

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