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Dia do médico



Luís Carlos Bedran*   Archibald J. Cronin (1896-1981) romancista inglês muito lido no começo do século passado, escreveu um livro memorável, “A Cidadela”, sobre a vida de um abnegado e idealista médico que foi clinicar no interior da Inglaterra. Nele retrata as agruras e as dificuldades em exercer essa nobre profissão e que iam desde […]

Luís Carlos Bedran

Luís Carlos Bedran*

 

Archibald J. Cronin (1896-1981) romancista inglês muito lido no
começo do século passado, escreveu um livro memorável, “A Cidadela”,
sobre a vida de um abnegado e idealista médico que foi clinicar no interior
da Inglaterra.
Nele retrata as agruras e as dificuldades em exercer essa nobre
profissão e que iam desde suportar o desalento sofrido pela ingratidão dos
doentes, gente humilde e ignorante, até o extremo reconhecimento e alegria
em haver conseguido salvar vidas e curar aqueles que dele necessitavam.
Nada como a sensibilidade de um escritor, ao mesmo tempo médico,
para contar aos seus semelhantes do júbilo e a satisfação em ver seu paciente
salvo da morte, livrar-se da doença e da dor, mas também sobre sua
frustração e desânimo em não ter conseguido nem sua cura e nem aliviado o
seu sofrimento.
O mineiro Pedro Nava (1903-1984), também médico e escritor, de
uma sensibilidade extrema, já dissera que a “Medicina antes de mais nada, é
conhecimento humano. E está tanto nos livros de patologia e de clínica,
como nos da obra de Proust, Flaubert, Balzac, Rabelais, poetas de hoje, de
ontem, nos modernos, como nos antigos”.
Hipócrates, médico grego (460-377 a.C.) considerado o pai da
Medicina, cujas sábias palavras ainda hoje são juradas pelos formandos e
São Lucas, o padroeiro dos médicos, consagrado pela Igreja a este santo no
dia 18 de outubro, fizeram da “ars curandi” a razão de ser de suas vidas. Este
foi mais além: pregando o Evangelho de Cristo, como seu discípulo.
Médicos, salvadores de vidas, eles mesmos também frágeis seres
humanos, “Medice, cura te ipsum”, “Médico, cura-te a ti mesmo” (Lucas, 4.
23), mas que não devem e nem podem demonstrar essa fragilidade; ao
contrário, tentar sempre transmitir esperança, mesmo tendo consciência do
inevitável.
Muitos, pessimistas, preocupados com os rumos pelos quais a
Medicina vem tomando hoje, despersonalizada e massificada, talvez
entendam que nada há a comemorar. Outros, os otimistas, geralmente os
mais jovens, acreditando cada vez mais na biotecnologia, na transformação
da genética acoplada à informática, nas novas descobertas revolucionárias,
certamente terão tudo para festejar essa efeméride.
A imensa maioria é profundamente idealista, pois a Medicina ainda é
e sempre será, em todos os tempos e em todos os lugares do mundo, uma das
mais nobres e gratificantes profissões, senão a maior de todas, aquela em
que se luta, com todas as armas possíveis contra a doença, para evitar e
tentar aliviar o sofrimento e em conseguir manter, com qualidade, o bem
maior de todo ser humano, que é a vida.
Por isso, nesse dia festivo, também quero registrar a minha singela
homenagem a todos os médicos, os do passado, presente e futuro e a todos

aqueles que, de uma forma ou de outra, envolveram-se e envolvem-se
familiar e pessoalmente com este cronista.

*Sociólogo

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