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Dependência química

Para a Organização Mundial da Saúde,a dependência química é o “estado caracterizado pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias químicas psicoativas com repercussões negativas em uma ou mais áreas da vida do indivíduo”. O relatório de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes aponta que mais de 5% da população mundial, […]

Alliny Sartori (*)

A dependência química e as suas consequências sociais fazem cada vez mais vítimas e, o que é pior, o acesso às drogas está cada vez mais fácil e precoce. De uma forma geral, o assunto é muito debatido, mas devemos encarar a realidade como uma questão de saúde pública e nunca menosprezar aqueles que sofrem, pois a dependência não escolhe suas vítimas, tampouco cor, raça, classe social, sexo ou condição financeira. As pessoas simplesmente são vítimas das suas próprias fragilidades enquanto seres humanos e, em busca de aliviar algum sofrimento ou aumentar seu prazer, entregam-se ao uso abusivo de substâncias psicoativas.

Para a Organização Mundial da Saúde,a dependência química é o “estado caracterizado pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias químicas psicoativas com repercussões negativas em uma ou mais áreas da vida do indivíduo”. O relatório de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes aponta que mais de 5% da população mundial, com idade de 15 a 64 anos, tenha feito o uso de drogas ilícitas apenas no ano de 2013. É uma realidade alarmante e inegável, pois os dados mostram que o consumo de drogas só aumenta. A questão já é tratada há tempos como assunto de saúde, pois os dependentes são vistos, de uma maneira mais ampla, como doentes. Porém, existem muitos paradigmas que devem ser rompidos, principalmente diante da sociedade, que julga e condena apenas o fato do consumo de drogas, sem ao menos perceber o quanto essas pessoas são vítimas de um sistema que se encarrega de precarizar todos que se encontram numa situação de fragilidade, seja na vida física, mental, emocional, espiritual, social, profissional, familiar ou financeira.

Não quero aqui pontuar diretamente como o sistema econômico, a industrialização, a mídia e a desigualdade social estão diretamente ligadas ao aumento do consumo de drogas, tampouco apresentar a relação histórica da evolução da humanidade com o consumo, mas quero mostrar a relação existente entre saúde/doença do indivíduo e a vulnerabilidade crônica que os dependentes enfrentam. Exposta a condições inadequadas no dia a dia, a família exerce uma influência primordial na vida do dependente químico. O suporte e a estrutura do seio familiar podem evitar consequências ainda mais drásticas para o dependente. A compreensão, mesmo nos piores momentos, é fundamental, para se pensar na questão do tratamento e do cuidado, porém não podemos negar que a família também se torna codependente e vítima do fenômeno da drogadição, o vício e drogas.

Existe um grande déficit entre o número de dependentes químicos e as vagas em clínicas, sendo poucos os que conseguem ter acesso a um tratamento adequado, visando sua reabilitação. Segundo alguns psiquiatras, os programas de intervenção mais eficazes para dependentes são os que adotam o modelo ambulatorial, no qual o paciente aprende a se manter abstinente, convivendo em sociedade, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar. Isso seria possível com propostas sérias de políticas públicas, que proporcionassem condições adequadas e tratassem o assunto com a devida complexidade da problemática e a singularidade do viver de cada ser humano. Uma filosofia interessante e que poderia ser melhorada e expandida é a do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), cujo objetivo é atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas, oferecendo atendimento à população, com acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Não é fácil tratar essa doença, pois as reincidências são altíssimas. Praticamente metade dos usuários tem uma recaída nos primeiros seis meses e 90% no primeiro ano.Muitos problemas sociais que conhecemos são oriundos do submundo que a dependência química leva naturalmente às pessoas. Prova disso são os furtos, problemas relacionados ao descumprimento das leis, prostituição e a própria degradação social. O problema, portanto, não é somente um caso de polícia, este é só um dos seus aspectos. Estamos falando aqui de uma questão de saúde pública, saúde mental e vulnerabilidade social, logo, uma questão de políticas públicas. É com olhar humanizado que devemos enfrentar os problemas que assolam os dependentes químicos e suas famílias, pois como sabiamente disse Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, “as penas contra a posse de droga não podem ser mais prejudiciais para alguém que o uso da droga em si”.

(*) Alliny Sartori é vereadora em Ibitinga pelo partido Solidariedade e presidente do Parlamento Regional Central da Uvesp.

Dependência química

Para a Organização Mundial da Saúde,a dependência química é o “estado caracterizado pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias químicas psicoativas com repercussões negativas em uma ou mais áreas da vida do indivíduo”. O relatório de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes aponta que mais de 5% da população mundial, […]

Alliny Sartori (*)

A dependência química e as suas consequências sociais fazem cada vez mais vítimas e, o que é pior, o acesso às drogas está cada vez mais fácil e precoce. De uma forma geral, o assunto é muito debatido, mas devemos encarar a realidade como uma questão de saúde pública e nunca menosprezar aqueles que sofrem, pois a dependência não escolhe suas vítimas, tampouco cor, raça, classe social, sexo ou condição financeira. As pessoas simplesmente são vítimas das suas próprias fragilidades enquanto seres humanos e, em busca de aliviar algum sofrimento ou aumentar seu prazer, entregam-se ao uso abusivo de substâncias psicoativas.

Para a Organização Mundial da Saúde,a dependência química é o “estado caracterizado pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias químicas psicoativas com repercussões negativas em uma ou mais áreas da vida do indivíduo”. O relatório de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes aponta que mais de 5% da população mundial, com idade de 15 a 64 anos, tenha feito o uso de drogas ilícitas apenas no ano de 2013. É uma realidade alarmante e inegável, pois os dados mostram que o consumo de drogas só aumenta. A questão já é tratada há tempos como assunto de saúde, pois os dependentes são vistos, de uma maneira mais ampla, como doentes. Porém, existem muitos paradigmas que devem ser rompidos, principalmente diante da sociedade, que julga e condena apenas o fato do consumo de drogas, sem ao menos perceber o quanto essas pessoas são vítimas de um sistema que se encarrega de precarizar todos que se encontram numa situação de fragilidade, seja na vida física, mental, emocional, espiritual, social, profissional, familiar ou financeira.

Não quero aqui pontuar diretamente como o sistema econômico, a industrialização, a mídia e a desigualdade social estão diretamente ligadas ao aumento do consumo de drogas, tampouco apresentar a relação histórica da evolução da humanidade com o consumo, mas quero mostrar a relação existente entre saúde/doença do indivíduo e a vulnerabilidade crônica que os dependentes enfrentam. Exposta a condições inadequadas no dia a dia, a família exerce uma influência primordial na vida do dependente químico. O suporte e a estrutura do seio familiar podem evitar consequências ainda mais drásticas para o dependente. A compreensão, mesmo nos piores momentos, é fundamental, para se pensar na questão do tratamento e do cuidado, porém não podemos negar que a família também se torna codependente e vítima do fenômeno da drogadição, o vício e drogas.

Existe um grande déficit entre o número de dependentes químicos e as vagas em clínicas, sendo poucos os que conseguem ter acesso a um tratamento adequado, visando sua reabilitação. Segundo alguns psiquiatras, os programas de intervenção mais eficazes para dependentes são os que adotam o modelo ambulatorial, no qual o paciente aprende a se manter abstinente, convivendo em sociedade, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar. Isso seria possível com propostas sérias de políticas públicas, que proporcionassem condições adequadas e tratassem o assunto com a devida complexidade da problemática e a singularidade do viver de cada ser humano. Uma filosofia interessante e que poderia ser melhorada e expandida é a do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), cujo objetivo é atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas, oferecendo atendimento à população, com acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Não é fácil tratar essa doença, pois as reincidências são altíssimas. Praticamente metade dos usuários tem uma recaída nos primeiros seis meses e 90% no primeiro ano.Muitos problemas sociais que conhecemos são oriundos do submundo que a dependência química leva naturalmente às pessoas. Prova disso são os furtos, problemas relacionados ao descumprimento das leis, prostituição e a própria degradação social. O problema, portanto, não é somente um caso de polícia, este é só um dos seus aspectos. Estamos falando aqui de uma questão de saúde pública, saúde mental e vulnerabilidade social, logo, uma questão de políticas públicas. É com olhar humanizado que devemos enfrentar os problemas que assolam os dependentes químicos e suas famílias, pois como sabiamente disse Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, “as penas contra a posse de droga não podem ser mais prejudiciais para alguém que o uso da droga em si”.

(*) Alliny Sartori é vereadora em Ibitinga pelo partido Solidariedade e presidente do Parlamento Regional Central da Uvesp.

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