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De novo esse debate político?

De novo esse debate político?

Por Matheus Santos

Quase duas décadas após o início do século XXI e a cidade de Araraquara parece fadada ao debate político mais atrasado possível: qual a melhor pessoa para ser Prefeito/a? Ao longo dos últimos anos estamos presos nessa forma de escolher o chefe do Poder Executivo municipal, mesmo diante de fatos que demonstram incontáveis semelhanças entre os personagens julgados diferentes. Sabemos que, quando entendem ser necessário, as referências políticas municipais se encontram e pactuam. O que, na prática política, é algo benéfico, desde que feito sob à luz do dia.

Por isso, limitar o debate político municipal acerca de personalidades é desperdício de nosso tempo e estratagema de poucos para manter o controle do restante. Araraquara precisa inovar para romper com essa prática, apontando neste momento para outro modelo de discussão e escolhas políticas, baseado em ideias e visão de futuro. Não se trata aqui de defender a falácia da “nova política”, isso não existe e é uma armadilha. O que estou defendendo, na minha insignificância, é a boa política, aquela capaz de colocar os interesses coletivos na mesa – à vista de todos – articulando com os, honestos, interesses individuais e setoriais e, contemporaneamente, utilizando de novas tecnologias.

Esse projeto não deve ser instrumento de determinado grupo ou partido político, mas sim tomado pela sociedade com total e real condições de participação e controle, não importando qual o assunto. Deve apresentar políticas públicas, com dados e informações, que confluem para o desenvolvimento econômico local, apresentem respostas rápidas às demandas sociais, ao passo que formulam novo equilíbrio com o meio ambiente e a cultura – entendida no seu mais amplo sentido.

Aqui a visão personalista é rejeitada na essência, ao passo que se propõe a superação da postura provinciana de diálogo. Ou seja, o Projeto de Desenvolvimento estabelece diálogo não com amigos e integrantes de determinados grupos políticos, mas com toda a inteligência acadêmica e popular, construindo pontes institucionais, perenes e de confiança, com o setor privado e as forças políticas e organizações sociais.

Não é um manifesto do tecnicismo, muito pelo contrário, a Política sempre foi e deve continuar a ser a arte suprema da humanidade, no entanto, como já dito, é sim um pedido para a Boa Política. Não podemos mais tratar nossos problemas com frases de efeitos, narrativas corporativistas ou discursos de ódio, devemos e podemos instituir o Estado local como capaz de diagnosticar e resolver nossos problemas. Não precisamos de salvadores da pátria, nem de um lado e nem do outro, precisamos estabelecer com inteligência e respeito às legislações e todo o aparato constitucional pactuado uma inovadora plataforma de governança. Historicamente Araraquara sempre esteve na vanguarda quanto a pensar formas de governar a coisa pública, não podemos perder essa característica.

 

*Matheus Santos é Administrador Público, Mestre em Ciências Sociais e Doutorando em Política Científica e Tecnológica (UNICAMP)

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