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Da sorte

Da sorte

Luís Carlos Bedran

A sorte está muito mais presente na vida de todos nós do que parece, assim como o azar, que seria o seu verso. Sorte e azar, duas faces da mesma moeda, porque muitas vezes a sorte de uns transforma-se no azar de outros, pois independem da vontade de cada um para ocorrerem, muito embora alguns filósofos digam que “para os sábios, nem tudo depende do acaso”, pois se a sorte pode contar com a ajuda do esforço do felizardo, ela deve ser bem avaliada e assim governá-la não deixa de ser uma arte.
Claro que quando Baltasar Gracián disse isso foi porque previamente ela já havia ocorrido e certamente então devemos bem aproveitá-la. Se já se disse que ela nada mais é senão uma palavra do ponto de vista metafísico, na verdade ela influencia e muito as nossas vidas.
E quem já viveu um bocado pode bem avaliar isso. É só fazer um retrospecto de sua existência, colocar numa hipotética balança tudo o que lhe sucedeu, avaliar o quanto a sorte ou o azar o influenciou e o quanto ele conseguiu bem ou mal administrá-los, mesmo porque, como disse Schopenhauer, a nossa vida não é produto apenas de obra nossa, mas sim de dois fatores: o da série de acontecimentos e o da série de decisões que se interpenetram e são mutáveis de acordo com as circunstâncias.
Uns dizem que a vida de toda pessoa independe muito menos de sua vontade do que dos fados, do destino, dessa força invencível completamente alheia às nossas ações, de acontecimentos que supostamente já seriam fixados antecipadamente, sabe-se lá como e por quem. Os crentes muçulmanos resumem numa palavra o destino, a fatalidade: é aquilo que já estava escrito, “maktub”, talvez por Alá, através do Corão, intermediado por Maomé.
Se esse fatalismo é incompatível com o livre-arbítrio, na verdade deve haver um meio termo do qual somos obrigados a nos adaptar para bem podermos viver e de certa forma com resignação, pois não desconhecemos a imensa fragilidade do ser humano.
Como disse Schopenhauer: “o destino baralha as cartas e nós jogamos” e Shakespeare, “em certos momentos, os homens são donos do próprio destino”.
Vamos acreditar que a sorte sempre nos possa trazer felicidade e que ela depois nunca se transforme em azar.

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