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AS GRANDES EMPRESAS AMERICANAS E O HOMEM DA COMPANHIA

O domínio no mundo dos negócios de 1913 a 1975 iria pender de forma gradual e inexorável em uma específica direção: as grandes empresas organizacionais americanas.

Apesar dos problemas de descontinuidade enfrentados com as guerras, as recessões e a política de recuperação após a Grande Depressão (1929), além dos contínuos avanços tecnológicos que sempre desestabilizavam o sistema estabelecido, o aspecto mais importante dos 60 anos que sucederam a Primeira Guerra Mundial foi o sucesso contínuo das grandes empresas norte-americanas graças, principalmente, à introdução de uma importante inovação: a firma multidivisional.

A firma multidivisional promoveu a profissionalização das grandes companhias ao se estabelecer como estrutura hierárquica e ao implantar gradualmente a separação entre propriedade e controle. A instituição de uma nova cultura marcava com êxito sua trajetória: os fundadores das empresas procuravam, agora, a nova classe de gerentes profissionais que passariam a tomar as grandes decisões estratégicas.

Nesse período, burocratização, introspecção e “gerência de objetivos” dominariam, até meados dos anos 1960, as estratégias administrativas (“o pensamento estratégico”) de então. Em especial, enfatizava-se a necessidade de haver um grupo de elite de gerentes generalistas que determinasse os dispositivos estratégicos e apresentasse os objetivos para os gerentes especializados dentro da empresa.

As décadas de 1950 e 1960 testemunharam, assim, a valorização máxima do Homem da Companhia, ou, como era entãochamado, o Homem da Organização, quetinha como aspiração maior de vida a ascensão profissional e todos os benefícios que ela poderia lhe oferecer. Conformismo, ênfase à adequação, aceitação de regras e de modelos do capitalismo gerencial, falta de espírito empreendedor eram, entretanto, críticas que pairavam sobre a aura desse profissional que fervorosamente “vestia a camisa da empresa”.

Ao contrário das firmas alemãs e japonesas, que, apesar de terem adotado parcialmente a estrutura multidivisional americana, mantiveram-se fiéis a uma versão capitalista mais voltada para o cooperativismo, os conglomerados americanos dos anos 1960 surgiram principalmente pela absorção quase desenfreada de divisões que outras empresas descartavam ou pela “compra hostil”, geralmente realizada com a utilização de ações das próprias firmas que, por meio de manobras contábeis controversas ou por meio de ações ambiciosas de investidores, eram lançadas no mercado altamente valorizadas. “Em 1973, 15 das 200 principais empresas manufatureiras americanas eram conglomerados. Nessa altura, porém, a bolha já começava a arrebentar.” (MICKLETHWAIT e WOOLDRIDGE, 2003, p. 167).

A crise capitalista internacional de 1974-1975 (crise do petróleo) iria cancelar abruptamente essa prolongadafase de expansão econômica.

Marlene Theodoro é coordenadora pedagógica do NÚCLEO – ESCOLA DE INGLÊS, doutora em Cultura Visual e Mídia pela UNICAMP, professora da ECA-USP e no INSTITUTO REINANDO POLITO.

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