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A vida como ela é

A vida como ela é

José Welington Pinto
A missa das 10 horas da manhã celebrada pelo Padre Marcelo aos Domingos, na Igreja Matriz, é um momento de fé e motivo de encantamento e de saudades. Encantamento, por poder admirar embevecido a beleza de sua pintura restaurada. Saudade por ter conhecido a antiga igreja Matriz, que foi demolida. Não guardo datas precisas, mas a época em que as coisas aconteceram.
Em 1952 e 1953, anos em que frequentei a escola normal, curso para a formação de professores, IEBA, tive a oportunidade de conviver com bons colegas, ter bons professores, estudar em confortáveis salas, boas instalações de estabelecimento de ensino público, IEBA, considerado modelo na cidade. Havia os cursos de clássico e científico para os alunos(as) que tivessem outros objetivos em suas vidas. Pude constatar tratar-se realmente de escola modelo e foi nela que conheci rapazes que se destacaram no exercício da profissão que escolheram, após concluírem o curso superior em São Paulo ou em outra capital.
Em 1954, a cidade de São Paulo completou e festejou o quarto centenário, e Araraquara, dava seus primeiros passos para se tornar uma grande cidade. Somente um historiador ou cientista político pode descrever e justificar tudo o que aconteceu em nossa cidade nos 60 anos passados, para ela se tornar a cidade que amamos.
A Igreja Matriz de São Bento era por nós frequentada em poucas datas. Trago na memória que aos domingos na saída da missa das 10 horas, reunidos no belo jardim da Matriz, alguns rapazes esperavam ansiosos por suas namoradas, com as quais faziam um passeio pela Esplanada das Rosas ou iam às brincadeiras dançantes que o 22 de agosto e o 27 de outubro costumavam promover.
Lembro-me com muita saudade das manhãs de domingo em que José Maria entoava nas brincadeiras dançantes músicas românticas, como, “é tarde amor para esquecer”. Ele e Isabel formavam um simpático casal e alguns anos nos encantaram com seu romance e casados foram por mais de 50 anos.
O casal sempre comparecia às nossas reuniões para comemorar nossa formatura como professores primários pelo IEBA, em 14 de Dezembro de 1953. José Maria faleceu meses atrás, e juntos Arlete, Luzia e eu fomos levar a Isabel nosso abraço de consternação e solidariedade.
A demolição da antiga Igreja de Matriz de São Bento marcou para minha geração, ao lado de outras mudanças, o fim de uma fase muito bem vivida pelos jovens de nossa cidade. A edificação da majestosa Igreja no mesmo lugar e a restauração que se faz agora são obras de fervorosos cristãos dos quais nossa cidade jamais esquecerá.
A vida foi, é, e sempre será assim, a vida como ela é.

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