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A traição da lucidez

A traição da lucidez

Genê Catanozi
Lucidez, mas afinal, o que significa exatamente essa palavrinha tão misteriosa? O dicionário define como uma pessoa que tem clareza, que mostra possuir razão. Mas para certas definições, o dicionário não esclarece completamente, pode-se dizer que, lucidez é mais um problema de percepção, compreensão e de sensibilidade pessoal mesmo.
Uma pessoa lúcida é geralmente aquela que procura nunca enganar a si própria, mesmo que a verdade lhe traga dissabores ou sofrimentos. É o tal negócio, em algum instante todo louco tem seu momento de lucidez.
A lucidez consegue perceber e captar o que está se passando ao redor, e se nega a ter qualquer tipo de ilusão sobre o que está acontecendo, trair e coçar não faz parte do lúcido. Se alguém faz um elogio, a lucidez entra em ação e procura antes de acreditar ou agradecer, saber se não há algum motivo para tanta gentileza, porque costuma haver sempre uma razão oculta para tudo que se fala. Como já disse alguém, “as palavras vão com o vento e desaparecem sem deixar rastros”.
Grandes amizades, freqüentemente acontecem por interesse. Vejamos: quantas vezes não se fica muito próximo de alguém porque esse alguém nos ouve quando precisamos, sempre com toda a paciência e tempo do mundo, isso é coisa rara nos dias de hoje, mas acontece.
E aquele amigo que tem uma chácara com piscina, e que usualmente os “amigos dele” vão lá no final de semana só para garantir o deles. E aquele outro que tem casa na praia e que não consegue ficar à vontade porque pecou em convidar uns amigos da onça. É, existem todos os tipos de interesse inimagináveis que, aliás, ajudam muito a fortalecer um sentimento, seja ele de amor, raiva ou de amizade mesmo. Falemos claramente, com toda a nossa lucidez, de um deles: por causa do dinheiro que outro tem. Mas o amor verdadeiro, aquele de verdade, existe mesmo? Claro que sim, é raro, mas existe.
Tem casos em que a lucidez engana, como por exemplo, se você tivesse feito uma sociedade em que você e seu sócio iam ganhar rios de dinheiro e serem os dois, donos do mundo? Você entrou com o dinheiro e seu sócio com a experiência, e no final da história você ficou chupando dedo, com a experiência, sem o dinheiro e sem o amigo. Se alguém lhe dissesse que seu amigo era uma traíra, você não teria acreditado, talvez a ganância cegou a sua lucidez. Com certeza depois dessa, o maluco beleza era você.
Mas tem pior do que ficar sem dinheiro, é quando uma pessoa de quem você gosta muito e acredita (um amigo, um parente, etc), e a quem você daria a camisa ou a calça, o começa a tratar melhor do que antes para conseguir alguma coisa a mais do que necessita, e de repente esse alguém lhe passa uma grande rasteira. Com isso, conseguiu levar alguma vantagem, claro que este tipo de gente merece o inferno. E quem é lúcido e tinha momentaneamente perdido a lucidez percebe e acaba sofrendo com a desilusão.
Aliás, alguns nem sofrem mais, porque desde o primeiro momento já vê tudo, tudinho. Geralmente os mais jovens têm uma grande vantagem em cima dos mais maduros: a falta total de lucidez, que esta só vem depois com o passar do tempo. Infelizmente, quanto mais o tempo passa, mais descrente ficamos, porque se acaba percebendo tudo antes mesmo do outro dar qualquer tipo de golpe. Só se acredita em tudo e se ilude quem ainda não conhece suficientemente a vida, ou gosta mesmo de ser enganado.
Segundo a escritora Danusa Leão: “Quem é lúcido não se surpreende com as coisas que o ser humano é capaz de fazer, as mais grandiosas e também as mais baixas, porque sendo tão lúcido, sabe que também é capaz de todas as coisas”. (trechos extraídos do artigo de Danusa Leão).
E já que ninguém nasceu de chocadeira o negócio é tentar sair da zona de conforto e botar a mão na massa.

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