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A roupa nova do rei

O país era grande e maravilhoso, com uma natureza exuberante, muito sol e um céu de um azul com muitos tons. Porém, como nada parece ser perfeito era governado por um rei ambicioso e autoritário, que cercado pela corte interesseira não se importava com nada, além de si próprio. Um país dividido entre ricos e […]

• Maria Aurélia Minervino

O país era grande e maravilhoso, com uma natureza exuberante, muito sol e um céu de um azul com muitos tons. Porém, como nada parece ser perfeito era governado por um rei ambicioso e autoritário, que cercado pela corte interesseira não se importava com nada, além de si próprio.

Deslumbrado diante do poder que lhe fora conferido se achava o dono de tudo e de todos: dos que o bajulavam e dos que o serviam, sempre querendo de alguma forma lucrar com permutas e presentes.

Um país dividido entre ricos e pobres; pessoas honestas e muitos corrompidos pelas facilidades oferecidas e a falta de leis; tão desigual que não conseguia se equilibrar e se projetar para um futuro progressivo. Estava estagnado no tempo.

Mas ele… Ele não se importava com o que fingia não ver… Nada ouvia e em suas palavras ao povo miserável prometia trabalho – alimento, mesmo sabendo que o país vivia uma crise nunca vista. Circo e pão!

Fazia muitas festas onde era o centro das atenções, quando discursava falando coisas sem muito sentido, pois era tal seu egocentrismo que gostava de ouvir sua própria voz e o aplauso de seus súditos, em troca de favores e bens que aumentassem ainda mais sua riqueza.

Um tanto arrogante outro tanto truculento não gostava de ser contrariado, tomando medidas perigosas contra quem ousasse ir contra seus desmandos e corria a “boca pequena” que, já fizera coisas escusas na escuridão de seu reinado. Muitos temiam essa sua personalidade forte e sem caráter. Só havia uma coisa que o deixava frágil, o seu ponto fraco! Era muito vaidoso e gostava de tudo que lhe desse prazer.

Isso chamou a atenção de dois malandros, como havia tantos por ali, que resolveram ganhar dinheiro a custa das manias do Rei. Um dia, se apresentaram no palácio com um grande pacote e pediram para falar com sua Majestade, sobre algo que o interessaria muito e tanto insistiram que foram levados pelo vizir, a uma grande sala.

Destrambelharam a falar juntos, atordoando o homem que impaciente os olhava sentado no trono, até que ele gritou:

– Parem com isso! O que vocês querem? O que há neste pacote?

Os homens cheios de micagens e reverências falaram:

-Temos aqui, o tecido mais fino do mundo. Feito com as espumas brancas do mar; com os raios de sol e o brilho das estrelas. Podemos humildemente lhe mostrar?

O Rei sentindo-se muito curioso exigiu:

-Mostrem! Mostrem Logo!

Do papel rasgado, eles fingiram tirar uma peça de tecido que levaram até ele. Confuso, o rei nada vendo, mas também não querendo dizer nada ficou ali parado diante dos pilantras.

Logo eles insistiram:

– O que acha meu Senhor? É deslumbrante! Além disto possui um dom maior: somente os sábios; os inocentes; os leais e honestos conseguem ver. Com certeza vai agradá-lo muito.

Desconcertado, o Rei levantou-se sentindo uma onda de calor invadindo seu rosto e com sua arrogância habitual falou:

– Maravilhoso! Digno das mais importantes figuras da realeza.

Estimulados por essas palavras, eles continuaram a encenação entregando o “tecido” ao dissimulado homem que enrolou em torno de si, perguntando:

-Que tal ficou? Vou comprar toda a peça e com ela fazer a roupa mais linda que por aqui se viu. Quanto lhes devo?

Negócio feito, depois de receberem a sacola com dinheiro, eles rapidamente sumiram do país e nunca mais foram vistos.

O rei em seus aposentos colocou o “tecido” sobre a cama e mandou chamar a rainha que depois de olhar e olhar, muda estava e muda ficou. Palavras ditas eram muito perigosas. Mas ele insistiu:

-O que achou? Não é espetacular? Você vê, não? Somente as pessoas inteligentes; honestas e bondosas podem vê-la. Dê sua opinião.

A mulher não vendo nada, mas não querendo dizer se aproximou e disse:

– Muito linda! Deve ficar bem para sua roupa nova. Parabéns pela compra. As pressas saiu do aposento assustada com tudo aquilo.

Foram chamados os alfaiates que diante o Rei também representaram amesmo texto, na comédia, assim como todos os demais e logo se empenharam em fazer a roupa.

No dia do grande desfile, os criados foram chamados e o Rei achou estranho o constrangimento ao vesti-lo. Tudo pronto, de mãos dadas com a rainha que revirava os olhos, ele começou a descer a rampa, altivo e arrogante como sempre ouvindo de todos seus súditos interesseiros:

-Magnífico! Olhem a roupa do Rei. Aplausos a ele.

Entretanto, no espaço destinado aos pobres e miseráveis uma voz se elevou dizendo:

-O rei está nu! Olhe, o Rei está como veio ao mundo! Que ridículo!

O clamor foi aumentando ate chegar aos ouvidos de sua majestade que envergonhado se viu nu em pelo, diante de seu povo. Disparou de volta ao castelo com todos atrás, sem saber o que fazer… Sem saber se riam ou se choravam pelo rei fanfarrão, que depois desta humilhação ficou um bom tempo sem sair e sem se comunicar como era de seu costume.

“Brasil, qualquer semelhança não é pura coincidência, partindo da necessidade de também se desnudar, por aqui, um pressuposto rei”.

Extraído e modificado do conto de Hans Cristian Andersen, “A roupa nova do Rei”.

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