Selecione a página

A propósito da cidadã Fabiana Marcelino Claudino

A propósito da cidadã Fabiana Marcelino Claudino

Walter Vicioni Gonçalves
“Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos”. Nelson Mandela
Um dos importantes motivos para se ter orgulho por ser brasileiro é pertencer a um mundo multicultural, formado por gente de todos os matizes, falas de todos os timbres, costumes de todas as nações, crenças nas mais diferentes religiões. Um mundo sem limites ou fronteiras, onde se vive com harmonia e solidariedade.
Essa foi sempre a imagem do país, que exalava alegria e sentimento de paz. Parecia sepultado o passado com histórias de escravidão, de revoltas e de submissão. O preconceito contra o pobre e o oprimido estaria sendo eliminado com políticas públicas de desenvolvimento social.
Esse paraíso está cada vez mais ameaçado por crescentes demonstrações de preconceito, intolerância, ausência de solidariedade. Homofobia, racismo e tantos outros preconceitos passaram a ser constantes em manchetes de jornais e programas de rádio e televisão.
Na escola, a violência cresce pela discriminação do outro por qualquer característica pessoal, opção ou crença. O fato de ser obeso, as dificuldades de comunicação, os problemas de aprendizagem provocam situações de bullying, quando alunos são humilhados pelas provocações dos colegas.
No campo do esporte, que deveria ser o palco de uma competição sadia, com respeito ao outro, crescem manifestações de preconceito. A aversão em relação a torcedores de outros times de futebol faz com que as pessoas se enfrentem e, no extremo, matem. Agredir por meio de insultos, ofender, destratar e afrontar passaram a ser formas de “desestabilizar” o adversário.
Mas é também no campo do esporte que, felizmente, temos assistido a algumas manifestações de repúdio ao racismo e a outras formas de preconceito. Nesta semana, ocorreu em uma partida de vôlei, entre o SESI de São Paulo e o Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte.
A bicampeã olímpica e capitã da seleção brasileira Fabiana Claudino, que joga pelo SESI, foi ofendida por insultos racistas durante a partida. Ela escreveu, em rede social, que refletiu muito sobre divulgar ou não o ocorrido, mas optou por fazê-lo. “Penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo que vivemos e queremos para nossos filhos. Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano”. Ainda, a jogadora agradeceu ao clube adversário, que retirou do estádio o autor dos insultos e o levou para a delegacia.
Pela sua declaração e atitude, Fabiana honrou a camisa do SESI. Mostrou lucidez ao não revidar ou ofender, mas exigir respeito. Demonstrou seu sentido de cidadania, ao expressar sua preocupação pelo mundo que vivemos e queremos para nossos filhos. Expôs sua dignidade e altivez ao não se apresentar como vencedora de título olímpico, mas como um ser humano, uma mulher brasileira.
Que essa atitude da Fabiana inspire muitos Josés e Marias, homens e mulheres, ricos e pobres, crianças e adultos, solteiros e casados, analfabetos e doutores, todos os já se sentiram ofendidos ou sofreram humilhação. Ao aumentar o contingente de pessoas que valorizam o sentimento de solidariedade e de respeito pelo outro, crescerá também a esperança em relação ao mundo de amanhã.

Últimos Vídeos

Carregando...

Charge

Publicidade

Publicidade

Arquivos

Publicidade