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A nossa criminalidade

Geraldo Gomes Gattolini *
Das 50 cidades mais violentas do mundo, 11 se localizam no Brasil. Por ordem de criminalidade, são elas: Maceió, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Salvador, Belém, Campina Grande e São Luiz, todas no Nordeste. Fora desta região, as que ostentam maior índice de criminalidade são: Cuiabá, Goiânia e Vitória. Maceió com 68,1 crimes para cada grupo de 100 mil habitantes fica no topo da lista. São Paulo tem 10,9 e está entre as mais baixas do mundo.
Dos 468 mil homicídios ocorridos no Brasil no período 2004 a 2014, 67% estão entre os negros. E não são somente os brancos que matam os negros como muitas estatísticas tentam demonstrar. A maior criminalidade está entre os próprios negros. As causas principais da criminalidade são: alcoolismo, drogas, pobreza e desorientação social.
Interessante é notar que a criminalidade nos Estados Unidos e Brasil seguiu uma curva ascendente entre 1960 e 1990. Depois diminuiu lá até hoje, mas no Brasil a curva ascendente continuou. Foi a partir do governo Clinton, que fez gigantesco investimento na área de segurança pública, que os índices de criminalidade passaram a cair e chegaram ao mais baixo nível nos últimos cem anos, embora em Chicago, Detroit e Saint Louis, os índices estejam ainda muito altos. Por falta de emprego e moradias descentes, a população negra é acusada pela polícia como altamente perigosa.
No Brasil a criminalidade começou a crescer a partir de 1990. Neste ano eram 93 mil encarcerados; atualmente está em 640 mil, dos quais 40% ainda sem julgamento. Nos Estados Unidos, a polícia consegue resolver 77% dos casos; no Brasil, apenas 6%, conquanto em algumas cidades se atinja cerca de 66% de esclarecimentos.
Para os entendidos em segurança pública, o maior desafio do Brasil consiste em diminuir a criminalidade entre as mulheres, que embora representem hoje aproximadamente 5%, acusam crescimento de 77% em apenas uma década. Os homens são responsáveis por 95% dos encarceramentos, mas demonstram uma ligeira tendência à redução.
No Brasil tem falhado todo o sistema judicial, que é excessivamente lento nos julgamentos, uma polícia desaparelhada técnica e psicologicamente, e dificuldade na implantação de uma política de reabilitação.
Se a sociedade civil não abraçar essa imensa causa, o caos vai aumentar de intensidade.
* geraldogattolini@gmail.com

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