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A morte do homem

A morte do homem

Obama matou Osama. Na verdade nem Osama matou pessoalmente algum norte-americano, nem pessoalmente Obama matou Bin Laden, mas, como líderes, mandaram matar: portanto, são os responsáveis.

Tal como o personagem Ethan, interpretado por John Wayne no faroeste “The Searchers”, “Rastros de Ódio”, para vingar a morte de seu irmão, de sua cunhada, de uma sobrinha, do sequestro de outra pelos comanches, ele os persegue e os mata após anos de procura.

Existe no filme um forte componente racista contra os índios. Vingança, ódio e racismo os “leitmotive”. Típico do espírito norte-americano, da formação daquela grande nação democrática, onde portar arma é considerado um direito constitucional.

Os fundadores dos EUA eram refugiados das perseguições religiosas e sempre acharam que não deviam se envolver com o resto do mundo, pois fixaram-se num continente longínquo, de vasta extensão territorial, entre dois oceanos. No entanto, não tiveram como se omitir nas duas Grandes Guerras Mundiais das quais foram vencedores e, então, a partir daí, de uma certa forma, tornaram-se responsáveis pela democracia mundial, a ponto de seus detratores considerarem aquela nação como a xerife do mundo e essa sua política interferiu em quase todos os países.

O que os terroristas no 11 de setembro, ao matarem quase 3.000 pessoas lá fizeram, evidentemente não se justifica. Nada justifica o terrorismo, religioso ou político. Erraram ao atacar o Iraque e de lá ainda não conseguiram sair. Sem declararem guerra formal, foram atrás dos responsáveis pelo ataque nas torres gêmeas do World Trade Center e a muitos outros ataques terroristas e acabaram agora por se vingar ao matarem aquele líder terrorista religioso num país estrangeiro.

A justificativa é a autodefesa. Tal como o Mossad, o serviço secreto israelense fez com o nazista Adolf Eichman há 50 anos na Argentina. Capturaram-no em Buenos Aires e o enviaram para julgamento no Tribunal de Nuremberg, onde foi condenado à morte pelo extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração.

Essa ação do exército dos EUA, chamada de assassinato seletivo, viola o direito internacional e a soberania dos países. Se um brasileiro houvesse mandado cometer aquele ato terrorista, as forças norte-americanas, conluiadas ou não com as brasileiras, agiriam da mesma forma, capturando ou matando em nosso país, indo nossa soberania às favas.

Foi uma vitória norte-americana, isso é indiscutível, mas tiveram de pagar um preço muito alto à política internacional. Talvez seria mais interessante Bin Laden ter sido capturado para ser julgado — e, merecidamente condenado à morte — em homenagem à justiça.

Entretanto, como todo julgamento, haveria mil desdobramentos, fora considerarem os fanáticos seguidores de Osama como mártir. Mais fácil e mais conveniente jogá-lo ao mar. Como aconteceu.

De tudo isso também se extrai que a dúvida ainda persiste: a religião pode ser considerada um bem ou um mal para a humanidade? Mas isso já é outro assunto para outra ocasião.

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