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A maldade não tem idade



Genê Catanozi   A maldade não é mais segredo para a ciência. Ela é tão antiga quanto o próprio homem. Hoje em dia, os pesquisadores já sabem que a crueldade se manifesta de forma biológica, como uma falha nos circuitos cerebrais, e que pode ter fatores sociais e genéticos. Os estudos se acumulam com descobertas […]

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Genê Catanozi

 

A maldade não é mais segredo para a ciência. Ela é tão antiga quanto
o próprio homem. Hoje em dia, os pesquisadores já sabem que a crueldade
se manifesta de forma biológica, como uma falha nos circuitos cerebrais, e
que pode ter fatores sociais e genéticos. Os estudos se acumulam com
descobertas fantásticas na população adulta, porém falar em maldade
infantil ainda é um grande tabu.
Em geral o senso comum diz que as crianças são inocentes, uma
crença que resulta da história da própria evolução familiar.
A partir do século XVIII a criança passa a ser o eixo do sentimento
de família, ela não pode ser má. Atrocidades praticadas por crianças
parecem poder sair somente da criatividade maligna dos roteiros de cinema.
Alguns filmes que abordaram o tema da maldade levantaram grande
polêmica a respeito, tais como: O anjo malvado e precisamos falar sobre o
Kevin.
No entanto, a perversidade na infância é uma patologia possível e
acontece na vida real.
A psicóloga, especialista em criminologia, Cláudia Pádua, diz que
transtornos de personalidade são considerados pela psiquiatria forense
como uma forma de perturbação da saúde mental, e diversos fatores podem
influir negativamente sobre a estrutura da personalidade infantil, até
mesmo antes de seu nascimento.
Para a pesquisadora a violência oculta e doméstica é a grande fonte
geradora dos comportamentos antissociais, em que a privação de amor
surge como causa contribuinte para a formação de comportamentos
violentos. A infância não é um período apenas de aprendizados bons e, por
mais paradoxal que pareça, às vezes dá origem a crianças cruéis, inclusive
com a ocorrência de casos de psicopatia.
Os maus tratos precisam ser considerados como sintoma de
desorganização familiar e falta de estrutura afetiva, dando vazão ao início
da maldade e da crueldade no indivíduo em formação. Quando a mãe, ao
sentir dor, repreende a criança, produz em seu inconsciente um tipo de
comportamento como forma de ameaça ou de sentir prazer em ferir, que,
com o passar do tempo poderá desencadear algo repulsivo.
A maldade passa pela ausência da empatia. É quando a pessoa não
consegue se colocar no lugar do outro em sentimentos e emoções, e não
apresenta sofrimento psíquico. Em geral percebe-se isso na criança em
torno dos quatro anos de idade, quando a criança começa a demonstrar
comportamentos de maltrato de animais, briga constante na escola, pisotear
em cadernos, baixa tolerância à frustração, danificar patrimônios, ironizar
outros colegas, jogar no chão ou roubar objetos de colegas.

As pessoas que buscam combater a violência precisam compreender
que, na brincadeira com qualquer tipo de arma, “games” violentos não
matam nas brincadeiras, mas deixam marcas e emoções registradas no
inconsciente tanto individual como no coletivo. (fonte: Revista Psique, nr.
138, editora Escala)

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