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A justiça mora nos detalhes



  Suze Timpani O grande problema hoje em Brasília, com a indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, é que ele tem acesso a todas as delações e acordos de leniência da Lava Jato. Ele sabe “quem é quem” no poder, e o que fizeram no verão passado e, agora, como Ministro terá […]

 

Suze Timpani

O grande problema hoje em Brasília, com a indicação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, é que ele tem acesso a todas as delações e acordos de leniência da Lava Jato. Ele sabe “quem é quem” no poder, e o que fizeram no verão passado e, agora, como Ministro terá acesso a documentações que como juiz de primeira instância jamais teria.
O medo que assombra o poder está aí, um homem que sabe demais e que terá carta branca do governo para agir.
Quando ele diz que “tem a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”, na prática, soou a muitos parlamentares que temiam visitar Curitiba que, a partir de 2019, terão que conviver com a Polícia Federal “fungando em seus cangotes”. E para quem estava acostumado a não distinguir público de privado foi um balde de água fria.
Quanto à narrativa de que ele prendeu Lula e ajudou a eleger Bolsonaro a troco de cargo, chega até mesmo a ser ridículo vindo de quem “diz” que estudou direito.
Decisões de um juiz de primeiro grau podem ser revertidas por qualquer advogado “meia boca”, quando não há provas consistentes, além de quê, existe ainda a segunda instância e superiores como o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF), que são meios de reversão e alteração dessas sentenças. Vale ressaltar que de 48 decisões de Sérgio Moro, apenas 6 foram revertidas, uma porcentagem muito pequena, diante das reversões feitas nos tribunais superiores.
Portanto, não há como dizer que Moro seria o “algoz” de Lula, já que seus processos passaram por todas as instâncias e continuaram intactos. Isso só evidencia que há provas cabais de seus crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Quanto a parcialidade do juiz que o Partido dos Trabalhadores tenta a qualquer custo imputar-lhe desde que o ex-presidente Lula foi preso, só mostra a arrogância do partido que insiste em não ouvir a voz do povo, não ouviu sequer Mano Brown que pediu à cúpula para “voltar para a base”, e ainda assim, acreditam que Moro “ousou” julgar e condenar autoridades do petismo. Colocam-se agora como resistência, sem ao menos pensar que a crítica indiscriminada a tudo o que o novo governo vier a fazer, de pouco servirá para a retomada de crescimento do país. Oposição na medida certa é sempre bem vinda.
Não sabemos ainda os resultados que Sérgio Moro nos entregará, se serão maiores ou menores que nossas expectativas, mas nesse momento que o país necessita ser passado a limpo, o presidente eleito não poderia ter feito melhor escolha. Penso até, que a esquerda deveria se sentir aliviada com a indicação para o Ministério da Justiça – Sérgio Moro jamais avalizaria uma aventura autoritária de Bolsonaro – e com uma única denúncia sua em rede social, pode derrubar o governo. Isso mostra desprendimento do novo presidente e vai de encontro com os anseios de seus eleitores, povo esse que está atento, caso haja necessidades de cobranças.
A democracia é realmente encantadora quando se faz bom uso dela.

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