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A ilha do conhecimento

A ilha do conhecimento

Tito Cassoni

“O que observamos não é a Natureza, mas a Natureza exposta ao nosso método de questionamento”.
Werner Heisenberg, físico autor do “Princípio da Incerteza”.
“A Ilha do Conhecimento” é um livro da autoria de Marcelo Gleiser, professor titular de Física e Astronomia no Dartmouth College nos Estados Unidos. Autor de vários livros e articulista da Folha de São Paulo. O nome “Ilha do conhecimento” é uma metáfora para explicar o pouco que sabemos em relação ao muito que ignoramos. Gleiser imagina o nosso conhecimento como uma ilha no meio de um oceano infinito representando o nosso apedeutismo. Conforme adquirimos conhecimentos o tamanho da ilha aumenta um pouco, sem que saibamos o tamanho do oceano ao qual a ilha está inserida.
Trata-se de um livro rigorosamente científico, revelando logo no início o ateismo do autor, quando afirma que “os religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível”. Este livro exige algum conhecimento de física para melhor apreciá-lo.
Começa fazendo uma análise dos filósofos pré-socráticos como Tales, Anaximandro, Lucrécio, Demócrito e sobretudo Epicuro, para o qual a vida só existe pelo prazer. Continua por Platão e Aristóteles e chega até Copérnico que colocou o sol e não a terra no centro do cosmos e foi violentamente atacado por Martinho Lutero: “Ouvi falar de um novo astrólogo que quer provar que a terra está em movimento e que gira em torno de si mesma e não os céus em torno dela. O tonto quer virar a arte da astronomia de cabeça para baixo”. Evidencia a importância do astrônomo Tycho Brahe, que além de astrônomo era também pescador e Galileu que foi o primeiro a apontar um aparelho para o céu e fazer descobertas que a olho nu seria impossível. Os padres se recusaram a olhar para a luneta de Galileu, qualificando-a de demoníaca!
Assim chega a Newton, o primeiro a usar a experiência científica como demonstração de prova. A partir daí não cabe mais a especulação metafísica. O século 20 é o século de Einstein. Este físico provou que a luz pode ser desviada se encontrar obstáculos pelo caminho; bem como a curvatura do espaço, além de afirmar de forma revolucionária que o espaço e o tempo deveriam ser considerados como partes de um todo e o tempo deveria ser considerado como a quarta dimensão. Um objeto que viajasse na velocidade da luz diminuiria de tamanho e desapareceria quando atingisse tal velocidade. Neste ponto o tempo pararia. Na velocidade da luz a massa teria um valor infinito. A luz não tem massa, por isso atinge tal velocidade. Afirmou também que o universo é plástico e que as galáxias estão se afastando da nossa Via-láctea. E mais ainda: o “presente” não existe. O que existe é a memória do passado. O “presente” só existe como ideia! Dado que os corpos celestes estão a milhões de anos-luz, “o céu é uma coleção de passados”. Provavelmente existam estrelas que já desapareceram e que ainda estejam enviando sua luminosidade.
O autor entra finalmente pela física quântica e prova que o observar interfere no resultado. A física quântica nos mostrou não só como vemos o mundo, mas como vivemos no mundo. A primeira lição da física quântica é que nossa percepção sensorial da realidade é relativa.
O livro suscita dúvidas. O que é infinito? Qual é o resultado da soma de infinito + infinito? É infinito? Como pode um número mais ele mesmo dar ele mesmo? Estamos num universo ou num multiverso? A física quântica pode ser aplicada na biologia? Se existir mais universos, eles poderiam se abalroar? Tudo isso e muito mais o autor aborda com muita maestria e elegância prendendo o leitor até o final de forma fascinante. O universo é simplesmente inefável!
Preocupado com a cultura do povo brasileiro decidi fazer um questionário destinado aos nossos líderes políticos representantes da nossa sociedade. Mandei-o para os indivíduos mais representativos da inteligência brasileira, como Dilma, Sarney, Renan Calheiros, Pelé, Neymar, Silvio Santos, Tiririca, Faustão e outras notórias figuras orientadoras da nossa cultura. Apenas o Lula respondeu. Eis abaixo:
Sócrates.
– Ex-Jogador do Corinthians.
Newton.
– Não é Newton. É Nirto e foi revelado pelo meu Corinthians.
Heisenberg.
– Aquele troço de gelo que afundou o Titanic.
Cosmos.
– Time de futebol americano onde jogou o Pelé.
E = mx c²
E = Eleição, M = Movimento grevista. x = letra do nosso arfabeto. C = Crasse trabaiadora e o 2 é o nº de presidentes que a crasse trabaiadora elegeu no Brasil.
Schrödinger (*)
– Sei lá. Deve ser zagueiro de time lemão.
Albert Einstein.
– É o hospitar em São Paulo que só atende a zelite.

(*) – Erwin Schrödinger (1887 – 1961) – físico austríaco, prêmio Nobel de física em 1933.

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