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A diferença

Os povos guerreiros da antiguidade clássica, como os persas; o espírito conquistador dos romanos, que dominou quase a metade do mundo conhecido, na Europa e Ásia de então; as guerras entre as religiões que sempre ocorreram, cada uma delas querendo ser superior às outras, tudo em nome de um Deus único; a tentativa de Hitler […]

Luís Carlos Bedran*

Essa história de se tentar reduzir a vida cotidiana do homem, em todos os aspectos, a um denominador comum, independentemente da existência vária e diversa de origens e etnias, das tradições milenares de povos, da localização geográfica de países e continentes, ou mesmo de pensamentos e crenças, é muito mais antiga do que se pensa.

Os povos guerreiros da antiguidade clássica, como os persas; o espírito conquistador dos romanos, que dominou quase a metade do mundo conhecido, na Europa e Ásia de então; as guerras entre as religiões que sempre ocorreram, cada uma delas querendo ser superior às outras, tudo em nome de um Deus único; a tentativa de Hitler em querer implantar o 3º Reich; a ideologia comunista de Marx e Engels, a demonstrar utopicamente a ditadura do proletariado. Todos, povos ou ideias que visavam dominar os seus semelhantes não conseguiram realizar totalmente seus objetivos.

Mas foi neste século que a ambição do homem conseguiu superar-se. A economia, aliada à tecnologia das informações e à banalização do conhecimento, transformou a vida cotidiana, quase ou praticamente igualando-a a de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo. Ainda há algumas exceções, mas estas somente vêm confirmar a regra; há ainda alguns redutos a serem conquistados, mas isso é somente questão de tempo, pois o espaço não mais existe.

A globalização tomou conta de tudo e a redução àquele denominador comum, foi para pior, igualou-se por baixo. Perdeu-se a identidade das culturas locais, que somente podem ser encontradas hoje nos museus, quase que considerados como depósitos de coisas velhas, trastes inúteis, recordações do passado.

Para completar a identificação plena entre os homens, em todos os cantos da Terra, falta apenas a uniformização da linguagem, onde o inglês já domina a maior parte dos países que compõem a chamada civilização ocidental. O padrão monetário nesses países acompanha a variação do dólar, inclusive a do euro.

As resistências à conservação da identidade própria dos povos e das pessoas, em outras plagas, estão sendo minadas paulatinamente. Mais alguns anos, nem mesmo existirá. Se diferenças houver então, serão mínimas, imperceptíveis, resquícios da tentativa em resgatar a tradição, o último reduto da identidade de um povo, de uma etnia ou de uma pessoa.

O que, entretanto, continuará impávida a resistir, embora sofrendo a influência humana em sua tentativa de modificá-la, será a Natureza que nunca poderá ser dominada completamente, que nunca poderá ser reduzida a um padrão qualquer.

E a conservação da Natureza, a proteção do meio ambiente, dos rios, da flora e da fauna, deverá ser o contraponto à completa destruição da identidade do homem causada pela economia e pela tecnologia.

Essa vai ser a diferença entre a mediocridade e o sublime.

*Sociólogo

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