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A democracia social

Luís Carlos Bedran

Luís Carlos Bedran

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O justo descontentamento (e descrença) popular face aos partidos políticos, não pode ser considerado exclusivo em nosso país democrático. Essa é uma tendência mundial motivada por inúmeros fatores, entre eles pelo amplo conhecimento levado a todo cidadão pela internet, razão pela qual hoje já não se pode mais alegar ignorância sobre qualquer assunto, o que o induz à crítica e à análise.

A ponto até de se perguntar se ainda há necessidade de continuar a existir partido político, substituído por líderes carismáticos, que independeriam de qualquer filiação, desde que suas ideias consigam convencer o eleitorado para por eles ser governado.

Isso é possível nalguns países; no Brasil ainda não, o que dependerá de uma reforma constitucional. Hoje todo mundo dá palpite na internet sobre tudo; chega-se a pensar até em consulta popular pela web em plebiscitos sobre assuntos polêmicos e até mesmo em eleições diretas substituindo as indiretas em nossos representantes políticos.

Experiências ainda em gestação, que poderiam ou não dar certo; talvez perigosas por falta de precedentes e que podem levar a populismos, tanto os de esquerda quanto os de direita sob uma capa democrática.

Como impossível deixarmos de ser governados, seria preciso ter de acreditar nas propostas dos governantes, vinculados ainda a partidos. Contudo, quais seriam as ideias personalistas deles, atados a seus partidos?

Como nunca se sabe exatamente quais seriam, embora se tenha alguma informação pelo passado deles e que podem ser mudadas até radicalmente quando conseguem conquistar o poder, a ideologia partidária pelo menos é conhecida. O que não quer dizer que os líderes a sigam corretamente, pois as circunstâncias políticas mudam a todo momento e têm-se de ser adaptadas para bem governar.

Apesar da existência de vários partidos e com algumas nuances que os diferenciam em seus estatutos, todos eles sempre almejam o bem dos governados e do País. Porém, o que verdadeiramente fará a diferença, não é a teoria emanada de seus princípios e sim a prática, que não poucas vezes se contradizem.

O eleitor tem votado mais na pessoa do candidato do que na ideologia partidária que nem a conhece. Não deixa de ter razão pela decepção que teve no passado recente provada por denúncias, processos e prisões de suas lideranças.

Então, como conseguirá no futuro acertar? Pelo conhecimento que deveria ter sobre as diretrizes partidárias. Entende este articulista que a melhor, ainda para o nosso país, deveria ser a mais moderna que vige nos países mais democráticos do mundo, principalmente na Europa e que é a social democracia.

Esta, desde sua origem no século 19, propugna a intervenção do Estado para promover a justiça social, dentro de um sistema capitalista e numa democracia representativa, de modo tal que haja uma distribuição de renda mais igualitária entre os cidadãos. Em síntese, o Estado seria uma espécie de mediador entre a poderosa iniciativa privada capitalista e a parte mais fraca, representada pelas classes sociais mais carentes, mas sempre dentro da democracia.

É o que consta nos estatutos do PSDB em que, entre outros objetivos programáticos nele contidos, afirma a “consolidação dos direitos individuais e coletivos; a construção de uma ordem social justa e garantida pela igualdade de oportunidades; o respeito ao pluralismo de ideias, culturas e etnias; a realização do desenvolvimento de forma harmoniosa, com a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a distribuição equilibrada da riqueza nacional entre todas as regiões e classes sociais”.

Esse partido, fundado há 30 anos, resultou de uma cisão do MDB, este criado para se opor à ARENA por ocasião do chamado Movimento de 1964. E que agora seus estatutos (ou algumas de suas posições) têm de ser revistos, ante a evolução dos tempos modernos, mas sem abrir mão de seus princípios tradicionais e programáticos, no mesmo diapasão daqueles modernos da Europa.

Os cidadãos ainda decepcionados pelo envolvimento dos políticos, mesmo os desse partido, poderiam acreditar que as eventuais transformações seriam sempre direcionadas para o bem-estar de todos e do País.

É o que se espera das novas lideranças recém-eleitas.

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