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A aceitação da corrupção e suas características de normalidade



Acostumados a uma cultura de alienação política, o povo mais consciente agora sofre, têm vergonha e sente raiva, ao ouvir notícias de impacto negativo sobre seu país. Uma onda de indignação, que se mistura com um sentimento de “mea culpa” começa a surgir e tomar conta dos cidadãos, diante do momento atual na política brasileira […]

Maria Aurélia Minervino

Acostumados a uma cultura de alienação política, o povo mais consciente agora sofre, têm vergonha e sente raiva, ao ouvir notícias de impacto negativo sobre seu país.

Percebe que há entre os Três Poderes uma quadrilha refinada, composta por indivíduos que parecem nada temer, usufruindo as mordomias pagas com o seu dinheiro, agora mais difícil do que nunca, para ganhar. Com certeza é vergonhoso ver a prisão de políticos, desviados em condutas do moralmente correto, tidos como representantes do povo e por ele colocado em cargos de reconhecimento, onde pervertidos visam ambiciosamente também ganhar o seu quinhão.

Uma onda de indignação, que se mistura com um sentimento de “mea culpa” começa a surgir e tomar conta dos cidadãos, diante do momento atual na política brasileira e a pergunta que não quer calar é: onde estavam os cidadãos deste país maravilhoso, quando diante de seus olhos ouvidos e boca foi feita tanta pilhagem? Com certeza, preocupados com suas viagens para compras no exterior… Com o carnaval… Ou com o futebol, bom para ativar o patriotismo patético, em meio às torcidas enlouquecidas
e fanáticas.

Momento onde pode ser aplicada a célebre e pitoresca frase de Lula, ex Presidente da República: “Não vi nada – não ouvi nada – não sabia de nada”, neste caso, refletida na acomodação da sociedade, por séculos, com na posição de aceitação da corrupção e muitas vezes também dela participando de várias formas, como “um mal” que tomou características de normalidade, e ao qual deveria se “fazer vistas grossas.

É necessário um engajamento urgente, da população criteriosa em processos, que exijam interesses reais para revelar esse núcleo político corroído, e é neste ponto que se toca finalmente, a ferida profunda. Um cancro maligno que sempre esteve bem ali, diante da percepção do povo que, entretanto, sem maiores interesses, ignorou.

Caosinstalado, a ferida aberta começou a cheirar mal e se tornou impossível ocultar, o que o vento da brasilidade, saindo da letargia, espalhou pelos quatro cantos dopaís.

De fato, a população brasileira aumentou a sua atenção e a sua rejeição à questão da corrupção nos últimos anos, porém, têm faltado a ela, os meios para melhorar a qualidade do sistema político brasileiro, na percepção que esta corrupção vai muito além de um erro cometido uma única vez.

Tornar-se interessado em conhecimentos sobre Políticas Públicas atento a qualquer movimento da Operação Lava Jato, talvez faça a diferença para passar a limpo as ações, de quem tem contas a prestar. Se empenhar para que a Operação, ultimamente tão combatida, por esses mesmos indivíduos nela focados, leve a cabo seu propósito de “higienizar” as gestões tendo apoio do
STJ e de todos os verdadeiros brasileiros.

Segundo o jurista, José Antônio Martins, “um diagnóstico quase unânime, diz que quando uma população passa a não mais compartilhar a vida política de sua comunidade, abrem-se as primeiras brechas para o advento da corrupção”.

É muito mais fácil ignorar e tocar a vidinha acomodada. Entretanto, próximo demais do fundo do poço, o único alento é se agarrar a corda da esperança e assim, muitos brasileiros apostam em ações que sustentem o processo para moralizar em longo prazo, os setores políticos que usam as propinas, como aposta fácil para pôr as mãos nodinheiro empresarial, ilícito ou “lavado”, arrecadado por influentes agentes públicos.

Além da prisão de dois ex Governadores, a todo o momento surgem mais nomes conceituados que agora estão na nova lista de Janot, através do recurso das delações premiadas que deixam a descobertos, os descaminhos de atos de corrupção.

Atônitos ficam os cidadãos com a realidade da legislação brasileira, ultrapassada, complacente com os erros e a triste verdade que, esses indivíduos sempre encontram métodos para se livrar das acusações, sem serem pressionados, mesmo estando sempre em foco, nas constantes denúncias de desvio das verbas públicas, divulgadas pela mídia.

Há um longo e difícil caminho a ser percorrido, na certeza que o combate à corrupção não haverá de ser resultado de mera produção normativa, mas, sim, a consequência da aquisição de uma consciência democrática tardia e de uma integrada participação popular, que permitirá uma contínua fiscalização das instituições públicas. É isso que demonstra a ordem natural das coisas principalmente, no Judiciário, que sempre foi o mais fraco dos Três Poderes e que mesmo após a Constituição cidadã, de 1988, não teve mudanças significativas em sua estrutura, pelo uso recorrente de medidas utilizadas a revelia pelo próprio Estado e outros agentes, o que torna a Justiça brasileira lenta, permitindo manobras que levem à impunidade, a desigualdade de direitos amparados pelo foro privilegiado e consequentemente, a aplicação de leis que levem a condenação necessária.

Nota – Para quem ainda não sabe, a origem da palavra corrupção deriva do latim “corruptus”, e é bem significativa. Em sua primeira definição, quer dizer: “quebrado em pedaços” e em um segundo sentido: “apodrecido; pútrido”. Já em uma definição ampla, em se tratando de corrupção política significa o uso ilegal, que pode ser por parte de governantes, funcionários públicos ou privados, do poder político e financeiro, de órgãos ou setores governamentais, com o objetivo de transferir renda pública ou
privada, de maneira criminosa, para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum: acesso a facilidades em todos os segmentos sociais; Observa-se que, todas as definições são apropriadas, principalmente em áreas importantes como a econômica visto que suas conseqüências devastaram o Brasil tirando sua credibilidade, frente a outras Nações.

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